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Mais uma grande composição do presidente da Estação Primeira de Mangueira, Ivo Meirelles em primeira mão no Estação Primeira.org. CONFIRA! Read the rest of this entry »
“Aqui nasceu a bossa-nova!” A frase pronunciada por Tom Jobim, não se referia a nenhum local na Zona Sul do Rio de Janeiro, mas sim a outro, um pouco mais distante, mais precisamente o Morro de Mangueira.
O maestro e compositor, Antônio Carlos Jobim sabia bem o que falava, já que é considerado um dos “pais” do movimento que saiu do Rio de Janeiro para o mundo, sendo talvez o mais bem sucedido movimento musical brasileiro, em termos de projeção internacional.
Tom Jobim disse isso, em 1992, quando pisou no Palácio do Samba, quadra da Estação Primeira de Mangueira, às vésperas do carnaval em que seria homenageado pela verde-rosa.
Os mais desavisados ficaram surpresos com a declaração de Tom, sem entender bem o que ele queria dizer, achando talvez que fosse uma forma educada de agradecer à escola, pela homenagem que lhe era prestada. Mas esse agradecimento, ele fez em forma de canção: Piano na Mangueira, em parceria com Chico Buarque.
A declaração do maestro se referia, porém, a outro mangueirense, igualmente genial, mas de certa forma, pouco conhecido: O compositor e cantor Geraldo Pereira. Pessoalmente, coloco Geraldo Pereira no mesmo patamar de Cartola e Nélson Cavaquinho, formando o que se pode chamar de Santíssima Trindade do samba mangueirense. Geraldo, porém, tem o diferencial do pioneirismo, que aliás, é sempre uma marca registrada das coisas de Mangueira.
Considerado o criador do samba sincopado, ou seja, o criador da bossa-nova, como bem definiu Tom Jobim, nasceu no município mineiro de Juiz de Fora em 23 de abril de 1908, chegando ao Rio de Janeiro aos 12 anos de idade, indo fixa-se no Buraco Quente, em Mangueira. Trabalhando num pequeno bar de um tio, foi se aproximando e se apaixonando pelo samba. Em pouco tempo já integrava a Escola de Samba Unidos de Mangueira (já extinta), indo mais tarde para a própria Estação Primeira, pelas mãos de Cartola. Viveu e cantou o morro e a boêmia. Mais tarde, já fazendo algum sucesso mudou-se para o bairro da Lapa, referência da boêmia carioca aonde veio a falecer, sendo detalhes de sua morte, até hoje, pouco esclarecidas. A mais aceita, é a tese de que foi esfaqueado pelo lendário transformista Madame Satã, vindo a óbito em razão de tais ferimentos. Mas a quem garanta que ele morreu de problemas hepáticos.
Falar da obra de Geraldo Pereira é também falar da vida de Geraldo Pereira. Cronista de sua época e de sua gente.
Nos anos 60, teve duas composições suas: Falsa Baiana e Bolinha de Papel, gravadas justamente por João Gilberto, que ao lado de Tom Jobim, é o maior expoente da bossa-nova e ao contrário de Tom, chegou a conhecer pessoalmente Geraldo Pereira, quando ainda era crooner do conjunto Garotos da Lua. Certa vez Geraldo convidou João Gilberto para ficaram conversando e bebendo num bar do bairro da Lapa. João sempre diz que a música de Geraldo era leve e cheia de divisões rítmicas, que ele fazia esse tipo de música sem ter a menor consciência do quanto era inovador, já nos anos 40.
A Bossa-nova que inclusive está fazendo 50 anos, tem em Geraldo Pereira e em Mangueira sua pré-história, mas isso pouco é lembrado, infelizmente. Além de João Gilberto, Geraldo foi gravado por Moreira da Silva (o antológico Acertei no milhar, em parceria com Wilson Batista); Cyro Monteiro, Aracy de Almeida e outros tantos. Nos anos 60, foi redescoberto por João Gilberto e mais tarde Gal Costa também gravou Falsa Baiana. Mais recentemente teve sambas gravados por Zizi Possi, Luiz Melodia, Caetano Veloso, Martinho da Vila, João Nogueira e Zeca Pagodinho, que inclusive gravou a hilária: Cabrita mal sucedida. É também de sua autoria: “Sem Compromisso” gravada por Chico Buarque e outros tantos nomes da MPB. Quem não conhece? O próprio Geraldo Pereira chegou a gravar seus sambas com relativo sucesso na década de 1940.
O grande legado desse sambista, cantor e compositor, é justamente a inovação, que lhe dá o status de gênio, colocando-se como um dos principais nomes da música nacional.
Em “ESCURINHA” ele promete a sua amada, lugar de destaque na escola de samba em que é diretor e claro, um barraco no Morro de Mangueira. Já em “ESCURINHO”, lamenta as desventuras de um bom rapaz, enfeitiçado pela praga de uma ex-namorada e que tornava-se briguento e arruaceiro. “Falsa Baiana” ironiza as moças que entram na roda de samba e não sabem dizer no pé. “Ministério da Economia” brinca com as promessa populistas do chefe da Nação. “Cabritada mal sucedida” é a aventura bem-humorada de uma cabritada feita com produto, digamos, de procedência duvidosa…e “Bolinha de Papel” é uma bela cantada e promessa de amor eterno e dedicação (vou ao banco, tiro tudo pra você gastar, posso até ó Julieta, lhe mostrar a caderneta se você duvidar). Esse verso escrito a mais de 50 anos, é de uma riqueza poética, bom gosto e melodia, de uma divisão rítmica que encanta e comove os ouvidos mais exigentes, como ocorreu com João Gilberto. Hoje em dia, isso infelizmente é raridade. Geraldo não era letrado, como a maioria dos sambistas de sua época, soube viver e deixar sua obra para eternidade, pois enquanto houver bom gosto e cantores dispostos a nos brindar com o melhor de nosso cancioneiro, a obra de Geraldo Pereira estará viva e perpetuada. Chegou a ser enredo da escola de samba Unidos do Jacarezinho, que é afilhada da Estação Primeira de Mangueira, com o tema: Geraldo Pereira, a Eterna Glória do Samba. Com esse desfile, a escola venceu seu grupo de Acesso.
Mauro Santos
Leandro Souto Maior, JB Online
RIO – Leci Brandão veio do subúrbio carioca. Nasceu em Madureira, foi criada em Vila Isabel, entrou para a ala de compositores da Mangueira, cantou e encantou o Rio de Janeiro e… deixou a Cidade Maravilhosa um pouco de lado para tocar sua carreira muito mais em São Paulo.
- Estou ficando muito mais lá. Eu sempre venho ao Rio, vivo na ponte aérea, afinal, aqui mora minha família. Mas meu trabalho nos últimos dez anos tem ficado muito mais presente em São Paulo, não só na capital, mas também em diversas cidades do interior do estado, onde tenho obtido resultados muito bons – conta a cantora e compositora, em entrevista exclusiva ao JB Online.
- A questão do trabalho é fundamental. Sou responsável por uma família. A partir do momento que eu vi que minha música no Rio não estava sendo executada e ao mesmo tempo em São Paulo as coisas começaram a dar certo, não tive dúvidas em mudar o meu foco de atuação. O Rio me dá carinho, o pessoal das comunidades e das escolas de samba me adoram, só que eu preciso trabalhar, cantar.
A distância do Rio a afastou também de uma grande paixão, a Mangueira.
- Minha relação com a escola de samba sempre foi maravilhosa. Não tenho ido a ensaios porque eles são aos sábados, e eu tenho estado trabalhando, mas sempre que sou recrutada para shows ou eventos estou presente. Pena é não ter podido comparecer no Carnaval. Como comento os desfiles de São Paulo na Rede Globo, fico muito cansada. E lá tem a tradição de ter shows durante o Carnaval, quando costumo me apresentar – lamenta.
Mas como diz o ditado, ‘o bom filho à casa torna’, Leci Brandão escolheu o Rio para o primeiro show de lançamento de seu mais recente CD, Eu e o samba. A apresentação, nesta sexta-feira, tem um sabor especial. Após três anos longe dos grandes palcos cariocas, a sambista faz a primeira apresentação de sua carreira no tradicional palco do Canecão, em Botafogo.
- Já cantei no Canecão, mas nunca com um show meu, só em projetos especiais, dividindo com outros artistas. Com certeza estou bastante emocionada e a expectativa é muito grande. Não vai ter nada mirabolante, nenhuma super-produção, é o meu show que as pessoas conhecem, mas com seis músicas inéditas. Não quero tocar mais que isso do novo disco porque acho que enquanto as músicas não se tornam conhecidas, o público quer cantar junto…
Eu e o samba traz participações especiais de Simoninha, Mart’nália e Mário Sérgio, do Fundo de Quintal, mas no show quem vai dividir o palco com ela é seu grande amigo, Almir Guineto.
- Ele é um irmão querido. Gravei muitas músicas dele. Além do Almir, o show vai contar também com a participação do grupo de dança afro Atitude, uma turma humilde que eu chamo todas as vezes que faço show no Rio. Sempre chamei essa turminha para dançar no meu show. Tem uma frase da Elis Regina que diz: ‘quem come o capim também tem que tomar taça de champanhe’, então nada mais justo que eles estejam ao meu lado também nesta ocasião especial no Canecão.
Ligada na nova geração, Leci Brandão foi gravada recentemente por Seu Jorge e Mariana Aydar, fez música para o CD de Paula Lima, participou do DVD de Leandro Sapucahy e gravou com o grupo Casuarina.
- Artistas de novas gerações e também de outras tendências sempre me emocionaram muito. Quando ouvi a versão do Seu Jorge para Zé do Caroço eu chorei. Gosto muito também da Mart’nália, Diogo Nogueira, Dudu Nobre, e adorei o último CD da Maria Rita – revela a sambista.
O show nesta sexta-feira já promete ser histórico, por ser sua primeira apresentação no Canecão, depois de um tempo distante do público carioca, cantando em primeira mão ao vivo seis músicas inéditas e acompanhada pelo não menos talentoso Almir Guineto. A apresentação está marcada para as 22h e o endereço é Avenida Venceslau Braz, 215, Botafogo.


