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Não poderia haver melhor forma para a Estação Primeira de Mangueira começar seu carnaval.
A começar pelo fato que a escola irá fechar a segunda noite de desfiles, encerrando o espetáculo do grupo especial, tivemos a honra, junto a Acadêmicos do Cubango, de abrir a temporada de ensaios técnicos na Marquês de Sapucaí.
Os ventos sopram a favor em Verde e Rosa.
EP.org – Qual o melhor horário ideal pro desfile da Mangueira?
IVO – Não tem melhor dia a Mangueira desfilando bem é o que importa.
EP.org – Pretende manter a tradição de concentrar do lado do balança?
IVO – Sim.
EP.org – Haverá mais contratações?
IVO – Surpresa!
EP.org – Como coibir o alto consumo de álcool entre nossos componentes na concentração?
IVO – Com muita informação, sobre o não consumo de álcool afinal de contas a Mangueira já é nossa cachaça.
Estação Primeira.org, o site que virou A Voz da Nação Mangueirense!
As dificuldades são permanentes em nossa vida. Sempre se apresentam quando nos sentimos mais fracos para enfrentá-la. Depois de todos os problemas enfrentados pela escola em 2007, nome em jornais por possíveis envolvimentos com atividades ilícitas, colunas tendenciosas, observações maldosas; e claro, total falta de credibilidade, deixou o nome de uma das maiores instituições do samba, e filantrópicas desse país, a Estação Primeira de Mangueira, remetida somente aos seus grandes feitos no carnaval, suas conquistas, suas premiações, arranhado. O que veio a culminar no final do ano passado em grandes problemas nas atividades do barracão. Atraso, cobranças, dívidas, e tudo isso recaindo em cima de quem não tem nada haver com isso, o carnavalesco Roberto Szaniecki, como se ele fosse responsável por todas as ações, e pelos problemas enfrentados, pois muito se enganam. Carnavalesco é sim a figura principal de uma escola de samba, mas na parte de criação, na parte de visão, não na parte administrativa, na qual, nenhum deles, creio, interfira em suas escolas. Mas a nação foi mais forte, o amor falou mais alto, e tudo que podia ser feito, gerou um grande resultado. Com ameaças constantes de possível rebaixamento, com uma pressão gerada pela mídia, e por outras torcidas, a Verde-e-Rosa respondeu a altura de sua história, imponente, garbosa, que fizeram todos os problemas alegóricos sumirem, dentro daquele mar de euforia, empolgação, que todos nós fizemos parte enquanto estávamos no desfile. E tudo isso não poderia culminar em nada diferente, do que uma vitória, não de resultado, porque o 6º lugar não é, nem jamais será posição de comemoração da Estação Primeira de Mangueira, afinal o nome já diz PRIMEIRA, e essa é a posição digna da nossa história, e do nosso amor. Mas a vitória da nossa força, vitória de todos nós que fomos passar horas, dias no barracão, dando nosso sangue, dando nosso suor, por nossa religião.
Quando sentei para escrever este artigo, eu tinha apenas o desejo de registrar o que vi, vivi e experimentei ao longo das últimas semanas, quando se deram os três ensaios técnicos da Mangueira na Sapucaí. Claro que, curvado diante da minha mais absoluta ignorância, nem sequer passou pela minha cabeça realizar uma análise dos fundamentos técnicos que são exigidos de uma escola de samba. Deixo esta tarefa para quem sabe: Rafa, Clêi e cia. O que saiu foi, na verdade, um desabafo, que eu espero que sirva para reflexão de algumas pessoas influentes (ou não) na escola.
Como primeiras palavras, sempre acho que cabe uma apresentação do autor, relatando grandes feitos do passado e experiências vividas. O problema é que, ao longo dos meus 29 anos, não tenho tantos comentários deste tipo para tecer. O que posso dizer é que carnaval para mim, até alguns anos atrás, sempre foi uma época de viajar com a família (quando criança) ou com amigos (adolescência em diante). Nunca tive grande contato com escolas de samba, desfiles ou coisa do tipo, apesar de SEMPRE, exigir não sair no dia do desfile da Mangueira para ver Mestre Jamelão e a nossa Verde e Rosa passarem e torcer como um fanático na apuração! Quase uma Copa do Mundo anual…
Mas a maturidade veio chegando e, com ela, a libertação dos conceitos maternos/paternos de estilo de vida. Em função disto, há alguns anos alimento o sonho de desfilar pela Estação Primeira. Nunca o realizava em função do preço elevado das fantasias. Até que um belo dia, e põe belo nisso, consegui ingresso para assistir ao desfile das campeãs: ano do guri Chico Buarque. Pronto, deste dia em diante, fui fisgado de vez pelo amor incondicional à Mangueira e jurei que um dia desfilaria com ela, nem que isso me custasse o salário de um mês inteiro! O tempo passava, eu não conseguia juntar o dinheiro e compensava essa frustração desfilando no grupo de acesso, que é mais barato (com todo respeito às co-irmãs).
Apesar da falta de dinheiro não me permitir desfilar na minha escola, no Palácio do Samba dava para ir! Lembro-me do primeiro dia no Palácio, foi arrepiante! Senti-me em casa na hora. A emoção era tanta que eu não conseguia (e confesso que ainda não consigo muito bem) cantar nenhum samba-enredo, sem que as lágrimas quisessem sair de meus olhos. Eu precisava parar de cantar, olhar para o alto e respirar fundo. Enquanto isso, no carnaval mesmo, eu ia acompanhando (religiosamente e sempre emocionado) os desfiles da Manga pela TV.
Até que ano passado assisti (incrédulo) nossa escola desfilar, debaixo de um pé d’água de fazer inveja às Cataratas do Iguaçu e capenga, quase feia…um desastre! Cada minuto que se passava as lágrimas escorriam em minha face. Entretanto, desta vez não eram lágrimas de alegria. Eram de tristeza mesmo. Eu não podia acreditar no que estava vendo, foi uma das dores mais profundas que experimentei na minha vida!
Pois bem, este ano me enchi de ousadia e decidi que precisava participar deste momento delicado da escola. Eu tinha que fazer a minha parte para ajudar a tirar a Manga do poço do ano passado. Era como se eu tivesse sentido um chamado…então parcelei a minha fantasia em quatro vezes (salve Clarice, minha presidente de ala querida!) e VOU!
Dezembro ia se aproximando e eu contava os minutos para o dia do primeiro ensaio oficial na Sapucaí. A ansiedade tomava conta de mim, pois, pela primeira vez eu estaria lá, dentro da escola. Era um domingo, tarde da noite, e as arquibancadas cheias esperavam pela manga. Eu, todo orgulhoso e me sentindo em casa, fui logo me enturmando e puxando papo com as pessoas. O que se via por todos os lados era um clima de orgulho ferido engasgado na garganta, que precisava ser colocado para fora. Nossa escola tomou conta da passarela do samba praticamente inteira com componentes da comunidade (nesta altura, não havia muitas fantasias da alas comerciais vendidas, ainda). Muito canto, muita garra, muita vontade de enterrar 2008 definitivamente, de elevar o brio da Nação mangueirense. Um ensaio excelente sob este aspecto e muito bom tecnicamente, segundo críticas.
Alma lavada, vieram as festas de final de ano e, no dia 09 de Janeiro, a Mangueira tinha a Sapucaí inteira só para ela! Público gigantesco, alas comerciais com mais gente de fora da comunidade, mas ainda com muitos mangueirenses de raiz. Cenário perfeito para mais uma festa, correto? Mas o sentimento de favoritismo, a certeza de mais uma apresentação brilhante, a empáfia e a arrogância de ser uma “gigante” do carnaval, fez com que acreditássemos que, mesmo sem muito esforço, tudo sairia perfeito. Como se estas coisas fossem assim, automáticas! E o resultado?! Componentes “desanimados” e sem garra, erros na sincronia entre a bateria e o carro de som, problemas de evolução e, como conseqüência, arquibancadas apáticas. Era como se tivéssemos voltado no tempo, para 2008.
Soma-se a isto o fato de que, nos ensaios da quadra, algumas vezes eu não via o Luizito para se afinar com a bateria e encantar o público (gosto do trabalho dele). Já o público, por sua vez, também não catava o samba. E no barracão? Muito atraso e aparente apatia em meio a declarações de falta de dinheiro e patrocínio. Parecia que o fantasma de 2008 e o salto alto tinham tomado conta da escola por todos os lados. Eu fiquei realmente muito preocupado e manifestei isso diversas vezes. Até confundido com seca pimenteira, eu fui. Vê se pode!
Chegou o terceiro ensaio e, com ele, ressuscitou o sentimento de orgulho ferido e a preocupação na Nação Mangueirense. Novamente se percebia nos olhos de cada componente que a garra e a vontade de carregar a escola nos ombros estavam de volta. Não havia clima de festa! Era um clima mais sério, mesmo e apesar das alas comerciais, que tinham componentes preocupados em se divertir, mas sem prejudicar a evolução e a harmonia da escola. Deu no ensaio mais emocionante desta temporada, até agora. A arquibancada foi junto com a escola, que corrigiu os principais erros. Lindo! Hoje, ainda vi que o barracão parece ter acordado.
Refletindo sobre tudo isso, me pergunto: será que precisamos nos sentir acuados para mostrarmos o melhor de nós, todo nosso potencial (ou “chão”, como preferirem)? É claro que a Mangueira é emoção, mas em tempos de carnavais luxuosíssimos e técnicos, precisamos usar a racionalidade em cada detalhe também e sempre, sem deixar de lado o emocional que nos distingue e nos enche de orgulho de sermos MANGUEIRENSES! Fica esta lição que, apesar de óbvia, nem sempre é seguida ou reconhecida por todos.
Sigo aqui, buscando todas as notícias que puder do barracão, alimentando minha paixão e ansiedade por ver nossa escola linda de novo! Agora, continuo contando os dias para realizar este meu sonho de desfilar aqui, se possível sendo campeão, sonho este que sei que não é só meu e que, por isso, não me importo de dividir com todos.
SANGUE, SUOR E RELIGIÃO: AVANTE MANGUEIRA!
Rodrigo Bouyer.
Cuidado que a Mangueira vem aí! Quando saí do sambódromo, era a única frase que me vinha à cabeça. Quando eu conseguia mudar o rumo dos neurônios, vinha, E O BICHO VAI PEGAR. Sem dúvidas Mangueira fez o melhor ensaio até agora! Mostrou que tem chão, força, que está pronta para lavar todos os problemas do ano passado e o desfile vexaminoso deste ano.
Depois da merecida homenagem a Jamelão, quando começou o esquenta, já dava para sentir o show que a gente estava ouvindo no Palácio do Samba. Desta vez, em outro solo sagrado, a Marquês de Sapucaí. Olhava para frente e pensava: Esta suntuosidade ficou pequena para nós! A chuva do desfile lavou e levou os problemas para longe. Deixou para nós uma Mangueira de doces frutos e folhas verdes e deu mais força ao nosso Jequitibá.


