Assine
Colunas
Slideshow
    Get the Flash Player to see the slideshow.
Comentaristas
  • Waldir d... (84)
  • Carlos O... (82)
  • isis barros (54)
  • camila s... (32)
  • Marcela ... (30)
Add to Technorati Favorites BlogBlogs

Posts Tagged ‘alcione’


Parabéns Marrom, minha amada e idolatrada Marrom!!!

Alcione comemorou seu aniversário do jeito que gosta, no Palácio do Samba, no último sábado (22/11/2008), cercada por mangueirenses, era nítida sua felicidade por estar ali.

Adentro o Palácio já procurando Marrom, eram faixas espalhadas por todo lado em comemoração aos 61 anos dessa grande cantora de coração verde e rosa, 61 anos muito bem conservados, diga-se de passagem. Acho Alcione no camarote presidencial, ela estava deslumbrante numa roupa verde, cabelos perfeitamente penteados e um sorriso que não saía do rosto, mandava beijos a todos, estava feliz. Adoro quando Alcione está presente no Palácio!

Read the rest of this entry »

 

Convite centenario frente

No próximo dia 11, Cartola estaria fazendo 100 anos se estivesse vivo. Mas o grande compositor, poeta e um dos fundadores da Estação Primeira de Mangueira receberá inúmeras homenagens mais que merecidas. A comemoração tão falada no ano passado com um grande enredo de 2008 falando sobre Cartola acabou abafada pela crise financeira e uma ajuda que caiu da prefeitura de Recife. Durante este anos, vários eventos estão, aos poucos, fazendo seu lado, muitos deles eu divulguei aqui, e os shows tem sido incríveis, como não poderia ser diferente.

Agora que a data do aniversário está chegando, a Fundação Cartola está intensificando o ritmo de homenagens. No próprio dia 11, às 7 horas da manhã, acontecerá uma “Alvorada de Tambores”, onde inúmeros ritmistas de diversas agremiações tocarão surdos em harmonia homenageando criador e criatura, Mestre Cartola e a Mangueira com a encenação de “…todo mundo te conhece ao longe, pelo som dos seus tamborins e o rufar de seu tambor…”. O evento acontecerá em frente ao Centro Cultural Cartola, ao lado do Palácio do Samba na Visconde de Niteroi.

As 14 horas, será servida uma feijoada para reunir intérpretes, parceiros, Velhas-guardas, amigos e admiradores de Cartola. Na homenagem, participarão a Orquestra de Violinos Cartola Petrobras e terá a leitura de poesias por diversos atores, comandada por Geraldo Carneiro. Às 18 horas, encerrando as festividades do dia, será rezada uma missa em Ação de Graças.

Dia 13, será o dia do grande evento preparado no Canecão, onde haverá um show memorável aberto ao grande público, tendo em vista que os outros eventos serão apenas para amigos, família e convidados. A casa de espetáculo apresentará às 20:30 o espetáculo “Cartola Eterno” com um elenco imperdível.

O palco será dividido por nomes como Alcione, Beth Carvalho, Leci Brandão, Emílio Santiago, Nelson Sargento, Arlindo Cruz, Elba Ramalho, Sandra de Sá, Jorge Vercilo, Mart´nália, Rildo Hora, Dorina, Flávio Bauraqui, dentre outros. Além, é lógico, da presença imprescindível da Velha Guarda da Mangueira.

O evento, que também contará com a participação da Orquestra de Violinos Cartola Petrobras, terá sua renda revertida para os projetos culturais do CCC. O Centro Cultural Cartola, responsável pelo acervo do artista e organizador das comemorações pelo centenário, é dirigido pelos irmãos Pedro Paulo Nogueira (presidente) e Nilcemar Nogueira (vice), netos do “eterno mestre Cartola”.

Informações : Centro Cultural Cartola – 21 – 3234.5777 (ou no Canecão, pelo fone – 21 – 2105.2000)

O Site do Canecão www.canecaopetrobras.com.br

Gostaria de usar a área de comentários deste post para quem quiser marcar sua presença no Canecão e quem sabe dividir uma mesa com fãs de verdade.

Saudações Mangueirenses


Fiquei pensando sobre o que escrever nessa primeira coluna e diversos assuntos me rodearam a cabeça. Em primeiro lugar, porque é uma grande responsabilidade falar de Mangueira, ainda mais num site com a qualidade que o amigo Rafael criou. Ao mesmo tempo que Mangueira tem histórias que não acabam mais e um conteúdo infinito de assuntos, sempre faltam palavras para se dizer algo.

Ao tentar falar de Mangueira, o poeta Hermínio Bello de Carvalho e o sambista portelense Paulinho da Viola, resumiram logo:

30_paulinho1 “A Mangueira é tão grande, que nem cabe explicação.”

Pois bem! Semana passada me dirigia a São Paulo e quando vou a S. Paulo de carro, vou sempre muito bem equipado para encarar com paciência e bom humor e caótico trânsito da cidade. E quando falo equipado, é equipado de músicas de qualidade para ficar ouvindo entre um e outro sinal fechado (olha o Paulinho aí de novo!!!).

Depois de muito tempo, peguei para ouvir CHICO BUARQUE DA MANGUEIRA e de repente, em plena Ponte do Limão, me vi absolutamente envolvido com o som que saía dos auto-falantes do meu carro e de verdade, me emocionei….

Fiquei tentando dar a dimensão exata do que é Mangueira. Do que é a Estação Primeira de Mangueira….

chicoComo pode uma escola de samba, nascida e criada no morro, habitada por gente tão simples, como diz outro samba, na maioria negros, totalmente excluídos da chamada sociedade do início do século passado, mal passados 30 anos da edição da Lei Áurea, teria ganho aquela dimensão e hoje ser a maior e mais respeitada instituição cultural desse país? Como aquele bloco carnavalesco embrionário, marginalizado, perseguido pela polícia, hoje é recebido com pompas e circunstâncias nos melhores salões dessa nação e até do mundo, visto o galhardão exposto com orgulho no Palácio de Buckingham?

Depois de pensar um pouco, concluí que essas glórias da verde-rosa se deram quase que exclusivamente por uma única manifestação: A POESIA. A poesia e o samba, claro… O poema musicado por nossos mestres.

Aí me deparo com o compositor e cantor Chico Buarque de Hollanda, badalado e conceituado nos mais restritos ciclos intelectuais… O Chico “das artes, o gênio” como bem definiu o samba-enredo em sua homenagem em 1998, quando a Mangueira conquistou mais um campeonato, se colocando na condição absoluta de fã, de aprendiz diante das obras de Cartola, Nelson Cavaquinho, Nelson Sargento, Padeirinho, Guilherme de Brito…

E outros, como Herivelto Martins, Caetano Veloso e o próprio Chico, que embora não residentes em Mangueira, sempre fizeram questão de compor sambas de exaltação à escola ou ao morro. Isso sem falar nos portelenses Paulinho da Viola, Monarco, Gilberto Gil, João Nogueira, Paulo César Pinheiro e tantos outros que também fizeram questão de mostrar seu carinho e admiração pela verde-rosa. O salgueirense Benjor, o imperiano Arlindo Cruz e tantos, tantos outros.

É só passear pela Música Popular Brasileira que veremos Mangueira sendo pronunciada nas vozes dos mangueirenses Alcione, Jamelão, Beth Carvalho, Sandra Sá, Emílio Santiago, Leci Brandão, Rosemary, Gal Costa, Maria Bethânia e tantos outros, como Clara Nunes, Ataulfo Alves, Jair Rodrigues, Roberto Ribeiro, Ney Matogrosso, Zeca Pagodinho, Simone, Dudu Nobre, Cauby Peixoto, Margareth Menezes e inúmeros cantores e cantoras do primeiro time de nossa música.

Então, ao ouvir a voz do Chico entoando Sala de Recepção, enchendo o peito de orgulho e dizendo, na primeira pessoa que: “Temos orgulho de ser os primeiros campeões”, não pude conter a emoção… Chico Buarque, com sua voz pequena e anasalada era a tradução exata do meu sentimento de mangueirense e acredito que de todos nós que amamos essa escola de samba.

Que digam que somos convencidos, orgulhosos e até muitas vezes arrogantes. Mas pergunto, como não ser? É o orgulho de pai, de mãe, é o orgulho de quem ama e vê o ser amado ser cantado em prosa e verso. É ver que somos muito grandes mesmo e que representamos muito mais que o desfile nos contados minutos e nas regras impostas que foram transformando o visual em quesito.

Como não encher os olhos de lágrimas e esquecer o congestionamento envolta e os compromissos profissionais ao ouvir Chico Buarque externar a nossa grandeza.

Vou ficando por aqui e se comecei com Paulinho da Viola, termino também com Paulinho da Viola, pedindo emprestado um verso que ele fez pra sua querida Portela, porém “…se for falar em Mangueira, hoje não vou terminar…”.


Músicas do intérprete e bateria da Mangueira faziam coro em sua homenagem.
Caixão seguiu em carro aberto dos bombeiros, que passou pela Marquês de Sapucaí.

Publicado por: Alícia Uchôa Do G1, no Rio

"Chegou, a Mangueira chegou". Foi sob o som do hino da escola de samba que o corpo do cantor Jamelão foi enterrado neste domingo (15) no Cemitério São Francisco Xavier, no Caju, na Zona Portuária do Rio.

Veja fotos de Jamelão
Reveja imagens da vida e carreira do intérprete

Veja fotos do velório e cortejo

O caixão foi carregado por familiares, que contaram com a solidariedade de centenas de amigos e fãs, que empunhavam bandeiras verde-rosa em homenagem ao mangueirense.

Enterro com música e bateria

O corpo de Jamelão foi enterrado sob o rufar dos tambores da bateria da escola e do coro dos fãs, que cantavam versos de "Matriz ou Filial", entre outras músicas. A escola de samba alugou um ônibus para que moradores da comunidade pudessem ir ao enterro.
O cortejo fúnebre saiu por volta das 10h30 da quadra da Mangueira. O corpo foi levado em carro aberto dos Bombeiros e saudado por onde passava. O ponto mais emocionante do trajeto aconteceu quando os portões da Marquês de Sapucaí se abriram, também ao som da bateria.

Adeus de famosos

Jamelão recebeu homenagens de famosos durante todo o velório, que durou 16 horas, e no enterro. Na quadra da escola estiveram Alcione, Beth Carvalho, Emílio Santiago, Elymar Santos, Zeca Pagodinho, Rosemary, Preta Gil, Monarco, Carlinhos de Jesus, Antonio Pitanga, Benedita da Silva, Jandira Feghali, Roberto Dinamite, Eurico Miranda e a madrinha de bateria da escola Gracyanne Barbosa.
Componentes de outras escolas também foram dar o último adeus ao intérprete. Entre eles o presidnete da escola paulista Vai Vai, Edmar Tobias, e os puxadores Paulinho Mocidade, Vander Pires, Dominguinhos do Estácio e Vantuir.
No enterro, estiveram ainda o ator MIlton Gonçalves, Jorge Coutinho e neguinho da Beija-Flor. "Ele é referência para todos os intérpretes. E um dos últimos pedidos dele foi para que lutássemos para pararmos de ser chamados de puxadores. Então, fui promovido", brinca Neguinho.

Luto

O governador Sérgio Cabral decretou luto de três dias pela morte do cantor. "Jamelão, além do maior intérprete de sambas-enredo e sambas-canção do Brasil, era o grande símbolo da garra mangueirense", lembrou Cabral. Além do governador, o presidente Lula enviou uma coroa de flores à família do intérprete.
Segundo a assessoria, a feijoada da Mangueira foi transferida para o próximo sábado (21), quando será realizado um Tributo à Jamelão. Será na quadra também, a missa de sétimo dia em sua homenagem, na sexta-feira (20), às 20h.

Homenagem no Carnaval 2009

No sábado (14), o presidente da Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa) afirmou que Jamelão será homenageado no carnaval do ano que vem.
“Vamos pensar com a Mangueira e com as escolas co-irmãs uma maneira de fazer uma homenagem sincera e positiva”, disse Jorge Castanheira. Em vida, Jamelão costumava dizer que não queria virar enredo de escola de samba.

Cantor morreu na madrugada de sábado

Jamelão, morreu por volta das 4h da madrugada de sábado (14), aos 95 anos.

Ele estava internado na Casa de Saúde Pinheiro Machado, em Laranjeiras, na Zona Sul do Rio, desde quinta-feira (12). Ele deixa esposa, filha e dois netos. 
A saúde do intérprete começou a ficar debilitada em outubro de 2006, quando internado por causa de uma isquemia, o que o deixou de fora do carnaval de 2007. Na época, ele falou com o G1, pelo telefone e resumiu: “Não sei quando volto, mas não estou triste”.
De lá para cá, ele voltou ao hospital com problemas como acidente vascular cerebral (AVC), anemia e com fratura no quadril.
Nascido em 12 de maio de 1913, Jamelão é um dos mais importantes integrantes da Velha Guarda da Mangueira e intérprete de sucessos como "Exaltação à Mangueira" (Enéas Brites / Aluisio da Costa), "Esses Moços", "Ela Disse-me Assim" (ambas de Lupicínio Rodrigues), entre muitos outros sucessos.




447-1 José Bispo Clementino dos Santos, 12/05/1913 – 14/06/2008, 95 anos de Glórias. Prefiro chamar apenas de, como Alcione o chamava, “O nosso eterno Mestre Jamelão”. Nasceu pobre, sustentou a família, se apaixonou por Mangueira e cantou. AHH, como cantou!!! Jamelão foi um mestre no cantar, e eu estava lá na Sapucaí quando o ouvi cantar o derradeiro Samba de Exaltação de nosso eterno mestre. Depois o vi passar com a carranca da Mangueira e me emocionei… Na época, Jamelão era um garoto de 92 aninhos. Interpretou a avenida inteira e não dava vez à moçada que puxava. Elásticos na mão, mau humor que só Jamelão, Tim Maia e outros deuses podem se dar ao luxo, sem perder o amor do público.

Após o Carnaval foi internado, idas e vindas, esteve entre a vida e a morte por dois anos, mas nesta madrugada descansou. Com a dignidade que lhe era peculiar passou por esta vida, fez diferença e deixou a sua marca e o seu legado. Nosso eterno mestre interpretou, cantou, (não gostava da nomenclatura, mas…) puxou e emocionou. Casou com a mulher certa, uma poeta, Ferreira Santos, sua casa era pura cultura e ele cantava as poesias da esposa. Mangueira foi sua paixão, mais de 5 décadas como intérprete… Não gostava da palavra puxador, dizia que puxador era de corda, de fumo, de saco. Preferia cantor ou intérprete. Cantou grandes sambas, nos últimos ensaios que participou provou que a cabeça estava no lugar, Jamelão cantava sambas e mais sambas, de diferentes gerações, sem errar. Três deles eram exigências, eram os que tinham gostinho especial: "Cântico a Natureza" (1970), "O mundo encantado de Monteiro Lobato" (1967), e "Caymmi mostra ao mundo o que a Magueira tem" (1986).

Jamelão era assim: exigente, mal humorado, cheio de manias, malandro, não gostava de homenagens, tampouco de puxa-sacos. Não era assim por ser uma estrela, não. Ganhou o apelido ainda jovem, quando após ser vendedor de jornal e operário, começou a cantar na Gafieira do Meyer. Jamelão era amargo como a fruta. Foi levado à Mangueira aos 15 anos por Lauro santos, o Gradim, parceiro de Ismael Silva e Noel Rosa. Freqüentou a roda de Cartola e Carlos Cachaça. Tocou tamborim na Bateria da Mangueira na década de 30 e 40, e antes de vir a de 50 se tornou intérprete oficial da Estação Primeira, foi crooner da Orquestra Tabajara, foi conhecido como o maior intérprete da obra de Lupcínio Rodrigues, foi calouro de Ari Barros. Virou presidente de honra da Mangueira ao assumir em 2000 um lugar honrado, antes ocupado por Carlos cachaça que morrera no ano anterior, seu segundo amigo na Estação Primeira.

Jamelão não era comercial, não elogiava, não fazia média. Gostava de chegar, fazer o seu trabalho e ir embora. Gostava da sua cultura, suas raízes de garoto pobre e preto. Sabia também que era bom no que fazia. Nunca teve folga financeira, sabia que era passado para trás por causa da sua cor. Seu ultimo disco, talvez o único que ele tenha podido fazer o que quisesse, foi nomeado por ele como “Cada vez melhor”. Realmente assim era Jamelão, como o vinho, ia envelhecendo e ficando “cada vez melhor”.

jamelaoLembro-me do ultimo show de Jamelão que fui, era o fim do ano de 2006, estava  morando em São Paulo, toda 4ª feira eu ia bater meu cartão de ponto no Bar Brahma e ver meu mestre aos 93 anos cantar. Neste ultimo show, uma rádio paulistana anunciou uma entrevista. Eu já no carro voltando para casa ouvi uma entrevista do jeito dele. O repórter fez uma pergunta sobre o que Jamelão achava da nova geração de grandes intérpretes como Vantuir e Wander Pires. Jamelão no alto de seu estilo respondeu “- Eu nem sei quem eles são, não posso falar porque não os conheço, mas eles sabem quem eu sou.” Perguntou sobre as paixões de Jamelão, “Mangueira, Vasco da Gama, minha mulher, minha filha, só não sei a ordem” outra pergunta foi sobre o fato de ele não rir e ele falou, “Rir de que?” Talvez isto seja uma marca de que Jamelão aos 93 anos ainda cantava para pagar as contas, não conseguia se libertar disso, não teve o reconhecimento financeiro que merecia.

Zeca Pagodinho foi para o velório e falou com propriedade. Velório de Malandro é assim, tomar uma gelada e contar as estórias. Acho que Jamelão era um pouco disto, não gostava de choradeira, gostava de viver assim, com amigos, contando casos e tomando uma gelada. A feijoada da Mangueira que seria hoje, foi passada para a semana que vem, onde haverá uma grande homenagem ao eterno mestre. A presença é obrigatória.

Minha última homenagem foi o post:

 http://www.estacaoprimeira.org/wordpress/?p=40

Em luto,

Saudações Mangueirenses



1151362640 jamelao1 300x198 Jamelão e a nova safra! Ontem eu estava por coincidência ouvindo alguns sambas antigos da Mangueira e lendo alguns tópicos no Orkut quando cheguei num tópico falando da Grande Rio, na verdade o Tópico que era sobre as chances da Grande Rio se transformou em um falando sobre o que era mais importante Wander Pires ou Mestre Odilon.

O Tópico terminou com um comentário meu que dizia:

“A questão base é o seguinte, isto não existe, o Wander Pires ta longe de ser o melhor intérprete da atualidade. Acho que ele ta no lugar errado, aliás. Já o Odilon, este sim merece todo o meu respeito. É o maior MAESTRO do samba atual. Sem desmerecer o único que se compara, Átila. Odilon é o cara que tem a bateria mais “limpa”do Rio de Janeiro. Quem já ouviu ao vivo, sabe exatamente o que eu vou falar, mas o cara toca na Sapucaí que não tem acústica e parece que tu ouves um CD, tudo perfeito. Sem firulas demais, mas diga-se de passagem, também não de menos. O cara é O CARA! Agora com Átila no acesso, ninguém é comparável a ele. Se a G.Rio, perde Wander Pires, acha meia dúzia de caras tão bons quanto e mais meia de caras melhores. Agora, se perder Odilon, aí meu amigo, nem Botando O Bruno Chatô de Jurado a G.Rio ganha alguma coisa.”

E me veio a idéia de escrever este post, pois sei que isto é uma questão mais de técnica que de gosto. Não estou aqui com objetivo de discutir e sim saber a opinião de cada um, que fique claro isto. A idéia surgiu ouvindo alguns sambas antigos cantados por Jamelão, na hora tocava Lendas do Abaeté para ser mais exato e comecei a ver algo incrível do Jamelão aí desci para 67, Monteiro Lobato e fui ouvindo todos os sambas pelo Jamelão, e quanto mais ele envelhecia, parecia que esta característica ficava mais latente. Jamelão é diferente dos que chamamos GRANDES INTÉRPRETES da atualidade. Ele canta de forma natural. Sabe quando se ouve o Ed Motta e acha que ele cantaria muito bem se não fosse todas as “firulas de voz” ele faz? Aquilo Polui a Música.


Acho que Jamelão está para cantar samba assim como Mestre Odilon está para a bateria, dada as devidas proporções (tomara que seja bem entendido, não quero esta polêmica), a questão é a limpeza, a Bateria do Odilon é tão limpa que não precisa de firulas. As bossas e paradinhas são charme, assim como o sotaque que até hoje não entendi de onde veio no Jamelão, ele Nasceu em 1913 em São Cristovão e sempre este no Rio, desculpem-me pela ignorância, mas não sei se é sotaque de época. O S apaulistado, O T do nordeste, o R do Sul mesmo sem estar entre vogais, o E, vez em quando transformado em i, que transformava o Pequenino em “Piquininu” e como o exemplo anterior, o O final transformado em U. Era o que bastava para o charme de Jamelão sem tirar nem por.

Era um tom melancólico quando se precisava, que emocionava, arrepiava (não sei como a Viradouro não viu isto), mas na Hora que precisava, o grave subia na garganta e ele “invadia o nordeste” e a “carranca da Mangueira” passava que era uma beleza, mesmo já supra 90 anos. Hoje precisa chamar, colocar, fazer bibop bibop, arranhar a garganta com ahhhhhhrrrrhhhii, aí que lindo, que lindo. Será que virá na nova geração algum intérprete como Jamelão? Acreditava muito no Bruno Ribas, que agora está na Mocidade com o que acho (REPITO, MINHA OPINIÃO) o melhor samba do ano de 2008 e que alias tenho a primeira versão que não tem bateria, só ele que até agora não paro de ouvir, mas ele ainda não tem a “malandragem” melancólica de Jamelão Malandragem que vejo em Martinho da Vila e até em mulheres como a Alcione.

É preciso poluir para “mostrar serviço” hoje? Vejo os intérpretes da Mangueira do amanhã já poluindo tudo, são incríveis cantando, mas já começam a colocar coisas a mais. Caio então num intérprete lendário e que empolga e arrepia, que quando chega à avenida, já vem com o “OLHA A BEIJA-FLOR AÍ GENTE! CHORA CAVACO!”, não preciso nem falar quem é né? Não sei o que falta no Neguinho, acho ele uma sumidade atrás do microfone, voz forte, limpa, mas falta ainda alguma coisa. Não sei se falta autonomia para mudar o tom de algum trecho, não sei se falta humildade de falar nesta nota eu não chego! A questão é que falta algo. O samba de 2007, o genial Yorubá, foi uma prova de que Neguinho não é perfeito, ele teve que chupar cana e assoviar naquele samba de letra complicada, o estandarte de ouro que nilópolis não sabe todas as palavras de cor, o “embromation” mais ensaiado que já vi na avenida! Faltou tom, faltou nota e Neguinho ficava absolutamente “vendido” de vez em quando.

Não sei se Jamelão não tinha limites, nunca o vi fazer nada parecido, não sei se Jamelão era malandro e humilde para saber o que ele podia e o que não podia fazer. Confesso ser suspeito, Mangueirense de SANGUE, fã do homem. Mas a pior questão é que nada sei de canto, sou um mero ignorante no assunto, talvez a coisa mais técnica que já fiz em termos de cantoria tenha reverberado no azulejo branco. Jamelão além de tudo isto, fazia musicas bobas virarem sambas lindos, fazia tornar emocionante versos bobos. Não adianta, tem coisas que ficam mais belas na voz simples de Jamelão.

“NO CANTO E NA DANÇA
NO PECADO OU NA FÉ, VOU SEGUIR NO ARRASTA-PÉ
DEIXA O POVO APLAUDIR
AO SOM DA SANFONA
VOU DESCENDO A LADEIRA
COM O TRIO DA MANGUEIRA
” DOCE CARTOLA”, SUA ALMA ESTÁ AQUI”


Quem lembra Jamelão cantando isto emocionado e logo depois EXPLODIR no bom sentido da palavra!

“VOU INVADIR O NORDESTE, SEU CABRA DA PESTE
SOU MANGUEIRA
COM FORRÓ E XAXADO, O FILHO DO CHÃO RACHADO
VEM COM A ESTAÇÃO PRIMEIRA“

Com idade já avançada, elásticos não mão, explodia e tinha garra para não mostrar de outra maneira que não na voz. A nova geração é diferente!

Wantuir parece que tem andando com a Elza Soares, ficou com a rouquidão no final das palavras. Wander Pires está com síndrome de Ed Motta e gosta de poluir TUDO. O Tinga, até tem a calma, mas peca na malandragem. O Quinho sobra na Malandragem, mas não explode. Dominguinhos enjoa! Andanças é a junção de tudo, Exagera, não tem malandragem polui, grita escarra, cospe, fala… Preto joia, falta TNT para explodir como Jamelão, parece que o samba entra no refrão e ele não. Luizito sobra no carisma, substituir uma lenda, um mestre dos mestres como ele mesmo diz, não é fácil, mas acho que é mais carisma que voz.

Quem é o grande nome para o Futuro? Será que teremos exageros para sempre? Infelizmente nosso mestre dos mestres está com uma situação de saúde que nos leva a quase certeza que não ouviremos mais aquela voz encantada e encantadora. Ainda bem que ele gravou um monte de preciosidades. Jamelão é uma lenda, destas que podem ser mal-humoradas, ríspidas, às vezes mal educadas que continuam com inúmeros fãs! Jamelão não precisa de médias nem exagero, quando teremos outro gênio desses, será que é um cometa Halley, que vem pra terra uma vez a cada 76 anos? Será que nunca mais teremos?

Saudações Mangueirenses