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Em meados de 2008, muito se especulava sobre qual seria o enredo escolhido pela Estação Primeira de Mangueira para o carnaval de 2009. Em uma de suas declarações, a atual presidente da escola, no intuito de tranqüilizar sua apaixonada torcida, declarou num alto e bom tom para todos: A Mangueira está escolhendo o maior enredo de sua história para o próximo carnaval!

Essa afirmação naturalmente faz o mais ilustre e apaixonado mangueirense pensar: Será? O que vem por aí?

Tantos foram os enredos que a verde e rosa levou pra avenida que fica difícil se escolher o melhor enredo da história da Mangueira. Tudo bem que cada mangueirense tenha a sua opinião, que opte por determinado momento, afinal, tantos foram os enredos bem sucedidos, tantas conquistas… Se o mais apaixonado e ilustre mangueirense foi conclamado a pensar sobre o maior enredo da escola, eu, um simples , reles, mas não menos apaixonado que eles “deixei minha mente vagar…”

Parei no ano de 1999… A Mangueira ebulia expectativas… O ano de 1998 nos trouxera um campeonato que há anos era esperado… Motivada, a comunidade da escola, seus diretores, e principalmente a torcida apostavam todas as suas fichas num tema inédito, carismático, histórico e apaixonante. Tudo haver com a escola mais querida. Mangueira vinha que vinha para o carnaval 98.

O samba escolhido era um primor. A gravação estupenda trazia ainda um empolgadíssimo Alexandre Pires e a potente voz do grande mestre. A escola ainda tinha um empolgadíssimo carnavalesco, Alexandre Louzada, que acabara de entrar para o seleto grupo de carnavalescos vencedores (foi carnavalesco do carnaval de 98, Chico Buarque da Mangueira), onde mostrou muita competência e estava de fato enchendo os olhos da nação mangueirense. E ainda tinha uma bateria consistente, um chão forte, um diretor competente (Elmo José dos Santos), e um iluminado Carlinhos de Jesus, que também tinha adentrado ao mundo do samba no ano anterior, e vencido todos os prêmios possíveis com a sua comissão de frente sobre os malandros. Não faltava nada… Mangueira era “pule de dez”, ninguém ousava dizer que a vitória não viria…

Autor(es): Adalberto, Jocelino e Jerônimo


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O desfile começou fazendo o povo chorar… Chorar de emoção… A comissão de frente trazida pela escola propunha uma reencarnação dos mais ilustres sambistas que o mundo já tinha visto… “Sinhô, Ismael, Pixinguinha, Cartola, Noel, Candeia…”, Clara Nunes, Mestre Fuleiro, Donga, Clementina de Jesus, Nélson Cavaquinho… Enfim, todos que realmente mereciam estar ali. E ainda trazia sentado num banco de vime, no seu abre-alas, Zeca Pagodinho, Martinho da Vila e Moreira da Silva…

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Considero essa apresentação o maior momento do carnaval brasileiro de todos os tempos. A Comissão de Frente da Mangueira de 1999 é a maior expressão carnavalesca que já passou pela avenida. Dali pra trás, o que viesse seria um marasmo. O Carnaval de 1999 parava ali. Nem precisava de mais nada…

E foi o que aconteceu. Depois daquela apresentação, estranhamente a Mangueira desfilou morna, as suas alegorias era belas sim, porém ofuscadas pelo grande acontecimento inicial. Problemas na sua evolução e harmonia levaram a escola para uma desastrosa sétima colocação (não que merecesse). O enredo, apesar de bem desenvolvido, merecia um pouco mais de carinho e competência do até então inexperiente carnavalesco, que também pecou e errou a mão em algumas alegorias e fantasias.

Fiquei incrédulo com o resultado. Apesar de tantos que souberem quem foi a escola vencedora daquele ano, poucos tomam como referência desse carnaval o seu desfile… E particularmente fiquei muito triste por não poder rever aquela comissão de frente participar do Desfile das Campeãs. 1999 foi o carnaval que a Mangueira não venceu!

Nunca fui a favor de reedições. Acho que limita a criatividade e sufoca o ineditismo. Mas se algum dia, a minha querida Mangueira for refazer um carnaval, que refaça esse e dê a ele um desfile merecedor de respeito, carinho e admiração… Um desfile competente! E que reedite aquela comissão de frente também…

Alessandro Bertea Mendes é mangueirense, convidado pelo Rafa Sampaio para escrever sobre a escola. E se sente muito honrado por isso.