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By N2H

Archive for agosto, 2008

Mangueira, o berço da Bossa

quinta-feira, agosto 28th, 2008

geraldo-pereira-2_1619361 Mangueira, o berço da Bossa“Aqui nasceu a bossa-nova!” A frase pronunciada por Tom Jobim, não se referia a nenhum local na Zona Sul do Rio de Janeiro, mas sim a outro, um pouco mais distante, mais precisamente o Morro de Mangueira.

O maestro e compositor, Antônio Carlos Jobim sabia bem o que falava, já que é considerado um dos “pais” do movimento que saiu do Rio de Janeiro para o mundo, sendo talvez o mais bem sucedido movimento musical brasileiro, em termos de projeção internacional.

Tom Jobim disse isso, em 1992, quando pisou no Palácio do Samba, quadra da Estação Primeira de Mangueira, às vésperas do carnaval em que seria homenageado pela verde-rosa.

Os mais desavisados ficaram surpresos com a declaração de Tom, sem entender bem o que ele queria dizer, achando talvez que fosse uma forma educada de agradecer à escola, pela homenagem que lhe era prestada. Mas esse agradecimento, ele fez em forma de canção: Piano na Mangueira, em parceria com Chico Buarque.

A declaração do maestro se referia, porém, a outro mangueirense, igualmente genial, mas de certa forma, pouco conhecido: O compositor e cantor Geraldo Pereira. Pessoalmente, coloco Geraldo Pereira no mesmo patamar de Cartola e Nélson Cavaquinho, formando o que se pode chamar de Santíssima Trindade do samba mangueirense. Geraldo, porém, tem o diferencial do pioneirismo, que aliás, é sempre uma marca registrada das coisas de Mangueira.

Considerado o criador do samba sincopado, ou seja, o criador da bossa-nova, como bem definiu Tom Jobim, nasceu no município mineiro de Juiz de Fora em 23 de abril de 1908, chegando ao Rio de Janeiro aos 12 anos de idade, indo fixa-se no Buraco Quente, em Mangueira. Trabalhando num pequeno bar de um tio, foi se aproximando e se apaixonando pelo samba. Em pouco tempo já integrava a Escola de Samba Unidos de Mangueira (já extinta), indo mais tarde para a própria Estação Primeira, pelas mãos de Cartola. Viveu e cantou o morro e a boêmia. Mais tarde, já fazendo algum sucesso mudou-se para o bairro da Lapa, referência da boêmia carioca aonde veio a falecer, sendo detalhes de sua morte, até hoje, pouco esclarecidas. A mais aceita, é a tese de que foi esfaqueado pelo lendário transformista Madame Satã, vindo a óbito em razão de tais ferimentos. Mas a quem garanta que ele morreu de problemas hepáticos.

Falar da obra de Geraldo Pereira é também falar da vida de Geraldo Pereira. Cronista de sua época e de sua gente.

Nos anos 60, teve duas composições suas: Falsa Baiana e Bolinha de Papel, gravadas justamente por João Gilberto, que ao lado de Tom Jobim, é o maior expoente da bossa-nova e ao contrário de Tom, chegou a conhecer pessoalmente Geraldo Pereira, quando ainda era crooner do conjunto Garotos da Lua. Certa vez Geraldo convidou João Gilberto para ficaram conversando e bebendo num bar do bairro da Lapa. João sempre diz que a música de Geraldo era leve e cheia de divisões rítmicas, que ele fazia esse tipo de música sem ter a menor consciência do quanto era inovador, já nos anos 40.

A Bossa-nova que inclusive está fazendo 50 anos, tem em Geraldo Pereira e em Mangueira sua pré-história, mas isso pouco é lembrado, infelizmente. Além de João Gilberto, Geraldo foi gravado por Moreira da Silva (o antológico Acertei no milhar, em parceria com Wilson Batista); Cyro Monteiro, Aracy de Almeida e outros tantos. Nos anos 60, foi redescoberto por João Gilberto e mais tarde Gal Costa também gravou Falsa Baiana. Mais recentemente teve sambas gravados por Zizi Possi, Luiz Melodia, Caetano Veloso, Martinho da Vila, João Nogueira e Zeca Pagodinho, que inclusive gravou a hilária: Cabrita mal sucedida. É também de sua autoria: “Sem Compromisso” gravada por Chico Buarque e outros tantos nomes da MPB. Quem não conhece? O próprio Geraldo Pereira chegou a gravar seus sambas com relativo sucesso na década de 1940.

O grande legado desse sambista, cantor e compositor, é justamente a inovação, que lhe dá o status de gênio, colocando-se como um dos principais nomes da música nacional.

Em “ESCURINHA” ele promete a sua amada, lugar de destaque na escola de samba em que é diretor e claro, um barraco no Morro de Mangueira. Já em “ESCURINHO”, lamenta as desventuras de um bom rapaz, enfeitiçado pela praga de uma ex-namorada e que tornava-se briguento e arruaceiro. “Falsa Baiana” ironiza as moças que entram na roda de samba e não sabem dizer no pé. “Ministério da Economia” brinca com as promessa populistas do chefe da Nação. “Cabritada mal sucedida” é a aventura bem-humorada de uma cabritada feita com produto, digamos, de procedência duvidosa…e “Bolinha de Papel” é uma bela cantada e promessa de amor eterno e dedicação (vou ao banco, tiro tudo pra você gastar, posso até ó Julieta, lhe mostrar a caderneta se você duvidar). Esse verso escrito a mais de 50 anos, é de uma riqueza poética, bom gosto e melodia, de uma divisão rítmica que encanta e comove os ouvidos mais exigentes, como ocorreu com João Gilberto. Hoje em dia, isso infelizmente é raridade. Geraldo não era letrado, como a maioria dos sambistas de sua época, soube viver e deixar sua obra para eternidade, pois enquanto houver bom gosto e cantores dispostos a nos brindar com o melhor de nosso cancioneiro, a obra de Geraldo Pereira estará viva e perpetuada. Chegou a ser enredo da escola de samba Unidos do Jacarezinho, que é afilhada da Estação Primeira de Mangueira, com o tema: Geraldo Pereira, a Eterna Glória do Samba. Com esse desfile, a escola venceu seu grupo de Acesso.

Mauro Santos


Palácio do Samba em noite de Gala

quarta-feira, agosto 27th, 2008

clip_image002Tive a oportunidade, de ir pela segunda vez ao Palácio do Samba, a nossa “quadra”(entre aspas mesmo, pois aquilo é uma casa para o verdadeiro mangueirense, não só uma quadra). O Palácio não é chamado assim a toa, lá é o verdadeiro Palácio para o sambista, e para o samba. É incrível a força, a energia, que aquele lugar tem. É algo fora de série, muitos choram, muitos riem sem entender bem porque, mas é algo que só o mangueirense sente, quando entra naquela “quadra”. Mas vamos ao relato de como foi…

Chegando ao nosso Palácio do Samba, tive a oportunidade, de conhecer pessoalmente o Dr. Celso Rodrigues, nosso Presidente do Conselho de Carnaval, e me apresentar a ele. Ele muito gentilmente me levou para conhecer o prédio, onde é dirigido uma das maiores instituições desse país, tanto cultural, quanto social. Primeiramente fui à sala de Troféus da Estação Primeira de Mangueira. É sem comentários, lá tem todos os troféus, todas as medalhas recebidas pela escola, são muitos títulos, não tenho número preciso de quantos, mas são muitos. Quem tiver paciência de contar, a foto está abaixo.clip_image002[6]

Perto da nossa sala de troféus, temos os quadros de todos os presidentes da Estação Primeira. No 3º andar do Palácio, temos um centro cultural, administrado muitíssimo bem pelo sr. Guerra Peixe. Lá se encontram fotos, murais, textos, todo tipo de informação da Estação Primeira em toda a história, fantasias e instrumentos da bateria, e também um lugar onde vc pode ver vídeos de desfiles da Estação Primeira de Mangueira. No 3º andar encontra-se também uma sala de reuniões, onde é exibido filmes, exibido palestras, para as pessoas da comunidade.clip_image002[8]

Mural dos Ex-Presidentes

Centro de Memórias Fantasia Carnaval 2007 – Ala: “Alegria, Alegria”

Mas enfim, gostaria de agradecer ao Dr. Celso Rodrigues pela atenção que ele me deu.

Já na quadra, tive a grande oportunidade de rever a Dalvinha, e conhecer o Rafael, o administrador aqui do nosso site, a Vera, grande conhecida, que já havia trocado papos na internet, mas não conhecia pessoalmente. Uma pessoa fora de série, super animada, muito simpática. E também de conhecer a sobrinha de um dos maiores compositores da Estação Primeira, Mi Bernini.clip_image001

Além de termos nos divertido muito, tivemos mais uma grande disputa de samba enredo, para o carnaval 2009, cujo o enredo é: “A Mangueira Traz Os Brasis do Brasil Mostrando a Formação do Povo Brasileiro”, do carnavalesco Roberto Szaniecki, baseado no livro “O Povo Brasileiro, Formação e Sentido do Brasil” do Antropólogo, Professor, Político E BRASILEIRO, Darcy Ribeiro.

Mas antes de falar dos sambas e da disputa, gostaria de destacar o trabalho que vem sendo feito na Bateria “Tem que Respeitar meu Tamborim!”. Ela está simplesmente fantástica, com paradinhas, bossas, os naipes de tamborins muito bem executados, a marcação do tradicional surdo de 1º muito bem feito. A Bateria está espetacular. Isso se deve a todo o trabalho feito pelos responsáveis pela mesma, mas gostaria de exaltar todos os ritmistas, que estão tocando com uma garra, com uma vontade sem igual, fazendo da tradicional bateria Verde-e-Rosa uma forte concorrente aos 40 pontos no carnaval 2009, e quem sabe mais um Estandarte de Ouro.clip_image002[10]

Gostaria de avaliar cada samba, mas vou aos que mais se destacaram na quadra, e tiveram melhor receptividade.

1-Marcus Muniz, Renan Brandão, Machado e Marcelo Nunes

De grandes compositores, só podemos esperar realmente um grande samba. É um samba que retrata muitíssimo bem o enredo proposto, a formação do povo, das diversas culturas que formam a nossa união federativa. Não é um samba que prima pela alegria, mas prima pela boa letra, e deverá ser um forte concorrente na final.

2-Eraldo Caê, Paulo de Carvalho, Diego Cabral e Bitú G-Sé

Uma das vozes da Estação Primeira de Mangueira na Sapucaí, Eraldo Caê, que na década de 90 era tido como um futuro “substituto” do nosso saudoso Mestre Jamelão, conseguiu unir a alegria da Estação Primeira, a garra, com uma letra bem montada e uma melodia de primeira. Peca em alguns aspectos, mas sem sombra de dúvidas é um samba que deverá e poderá crescer muito até o final da disputa.

3-Índio da Mangueira, Luisinho Oliveira, Daniel do Riachuelo e Beto Savana

O samba do Índio fechou a noite em grande estilo. Uma letra muito bonita, uma composição de primeira, digna do grupo de compositores que nos últimos anos vêm se mostrando de extrema competência na composição dos seus sambas. Tem uma letra mais fechada, mas vale destacar a ótima interpretação do Wantuir ao vivo. No cd ele não explorou muito, mas no Palácio do Samba, no palanque dos compositores Jamelão, ele mostrou porque é considerado um dos maiores intérpretes do carnaval carioca.

4- Gustavo Louzada, Vanderson, Junior e Dirle

Louzada marinheiro de primeira viagem na Estação Primeira já chegou botando banca e que banca! Grande Samba dessa parceria, o samba vai evoluir muito, mas já se mostram forte e competente esses compositores. Tem um refrão bem montado, e bem alegre, sem apelar. Grande samba, e pode surgir aí como uma surpresa na final.

5-Aníbal, Jerônimo GG, Pope e Jurandir Terra

Aníbal que é um dos atuais campeões na Verde-e-Rosa fez zelar seu nome na disputa para o carnaval 2009. Com outros compositores fizeram uma das mais bonitas obras deste carnaval, é um samba bem melódico, que funciona, com refrões fáceis se apresenta muitíssimo bem. Só peca na letra em geral, que é muito grande. Mas é um ótimo samba, pode pintar também aí na final.

6-David Corrêa, Marcelo D’Aguiã, Resemar da Mangueira e Bizuca

David Corrêa que já fez inúmeros sambas, que a minha amiga Vera me recomendou, mostrou porque é considerado um dos maiores compositores do carnaval carioca. Ganhou em 94 com o famoso “Atrás da Verde-e-Rosa só não vai quem já morreu”, mostrou que veio pra ficar novamente. Um samba muito bom, de uma força incrível, tem uma letra e uma melodia bem montada, sem perder a essência do enredo.

7-Lequinho, Jr. Fionda, Gilson Berini e Clarão

E para fechar a parceria que era a mais esperada e ansiada do ano. Um samba forte, que na quadra não tem igual, a quadra toda vai ao delírio com esse samba. É um grande samba, de composições fortes, de rima e letra bem montadas. E por demais… “Nem cabe explicação”.


A disputa mostrou a força dessas parcerias, que não precisam de mais nada. Foi mais uma noite de gala no Palácio do Samba. Mostrou a força da Nação Mangueirense, sem igual. “Na Minha Verde-e-Rosa, eu acredito!”. Gostaria de destacar também, a ótima interpretação do neto do maior intérprete de samba-enredo de todos os tempos Mestre Jamelão, Tomáz, mais conhecido no Palácio e por todo o mundo do samba como, Jamelão Neto. E não cabe explicação do porque esse apelido, que era de seu avô, se encaixou nele. Guardemos esse nome… Tem tudo para honrar o apelido mais reverenciado e conhecido do mundo do samba.

Fico por aqui, e espero que quem, já foi ao Palácio do Samba, volte, pois a casa é nossa, e com certeza todos serão extremamente bem recebidos por todos, e quem ainda não foi, não perca tempo, a cada segundo que se perde sem conhecer a Estação Primeira de Mangueira, é um segundo que se fica longe de uma força, de uma energia descomunal. Todo sambista só é realmente sambista, quando pista no Palácio do Samba.

A MAGIA DOS ENSAIOS DE ONTEM E DE HOJE

quarta-feira, agosto 20th, 2008

Mangueira-1967 Lembro-me do primeiro carnaval que assisti, era 1967, o enredo da Mangueira era “O Mundo Encantado de Monteiro Lobato. Fiquei deslumbrada e me apaixonei definitivamente pela Mangueira. Na época, ainda não havia sido construído o Sambódromo. O desfile era na Avenida. Presidente Vargas e a concentração, na Candelária. As arquibancadas e camarotes eram armados com bastante antecedência por uma empresa especializada. Entre uma arquibancada e outra havia vãos, aos quais o público tinha acesso e levava, ou alugava, caixotes de madeira pra assistir ao desfile. Algumas pessoas subiam nas árvores próximas, mas a polícia batia nelas com cacetete, obrigando-as a descer. As grandes escolas eram somente Mangueira, Portela, Salgueiro e Império Serrano- as outras, por mais que se esforçassem, nunca conseguiam se colocar na frente das quatro grandes. Não havia cronometragem e Mangueira e Portela, por exemplo, levavam cerca de 3 horas desfilando. As escolas demoravam bastante com o propósito de desgastar a escola seguinte que estava na concentração formada, esperando para desfilar. A Mangueira apresentava-se com as cores mais claras quando desfilava de manhã com sol e cores mais fortes e brilho quando desfilava antes de clarear o dia. Os desfiles podiam se estender até as 14 horas do dia seguinte, como já ocorreu. Não havia desfile das campeãs depois do carnaval, as escolas desfilavam para os moradores de seus bairros. Ouvi dizer que Mangueira desfilava no Méier. Não havia entrega de estandarte de ouro antes de 1972.

mangueira67 Naquela época os ensaios da Mangueira eram às sextas-feiras, e muitas pessoas iam direto do trabalho, a quadra não era coberta e quando chovia não havia ensaio. A quadra era cercada com uma grade baixa, que separava as mesas do meio, onde somente mulheres, porta-bandeira e mestre-sala podiam entrar. Era mesmo um ensaio no “meio da quadra”. Cantavam o samba-enredo e os sambas de quadra muito conhecidos dos freqüentadores, com aquela bateria maravilhosa.

Existiam sambas inesquecíveis como “Tem Capoeira”:

“Tem capoeira

Na Bahia, na Mangueira”

e um outro , explosivo, que dizia:

“Junte tudo que é seu e vá embora

Mas vai, vai agora

Já cansei de te aturar

Nossos gênios não combinam

Vamos nos separar”

Nas décadas de 1960 e 70, freqüentei assiduamente os ensaios , nos quais o clima era de muita alegria e onde conhecíamos pessoas maravilhosas. Hoje, muitos anos depois, freqüento a feijoada na quadra no segundo sábado de cada mês e os ensaios de sábado. Parece que nada mudou. A quadra da Mangueira tem algo de mágico… “Sei lá, Mangueira”….disse Paulinho da Viola, sobre a magia que envolve a Verde e Rosa.. Já ouvi várias pessoas dizerem que nunca foram tão bem tratadas numa quadra de escola de samba. Parece que um sentimento de amor nos une; e desfilar na Mangueira é sempre tranqüilo, porque somos tratados com muita gentileza pelos dirigentes e organizadores que têm sempre um belo sorriso quando nos dirigimos a eles. Quadra bonita, iluminada e enfeitada, , muita gente bela, e feliz Quando, ao fim do ensaio, vamos embora, já sentimos saudade e uma certeza de que voltaremos na próxima semana.

Obrigada Mangueira, por proporcionar tantas alegrias para nós, os mangueirenses.

Vera Tayarol


Noite espetacular na disputa!

segunda-feira, agosto 18th, 2008

Mais um memorável sábado no Palácio do samba, a competição começou a esquentar. A quadra tem lotado e não foi diferente neste fim de semana. Cheguei por volta das 22h para ouvir o impagável Grupo Regente da Mangueira, achei que o evento estava vazio demais, apenas poucas mesas com gente e quase ninguém em pé. Como já é de costume, a meia noite, quando entrou a bateria, a quadra lotou num piscar de olhos. Estava num nível ideal de pessoas para a disputa que exige o meio da quadra livre para a tradicional roda que é formada durante as apresentações dos sambas.

O evento começou com uma emocionante homenagem à um grande Mangueirense que infelizmente nos deixou, mas deixou um legado fenomenal. Um campeonato memorável em 86 e musicas que influenciaram não só o samba, mas todas as músicas brasileiras desta geração. Caymmi foi enterrado com a nossa bandeira verde e rosa, a homenagem começou com a leitura de um belo texto sobre Caymmi, seguida por um minuto de silêncio. Após, o silêncio foi quebrado pelas cuícas, logo depois entraram repiques, caixas e taróis, entrou uma rajada de tamborins e TUUUUM!!! Nosso surdo de primeira começou o espetáculo. O samba de 86 é incrível, “tem xinxim e acarajé, tamborim e samba no pé”, acho que foi à maneira de Caymmi, sorriso no rosto e a vida que se segue de quem foi fazer uma rodinha de samba La do alto com Jamelão e tantos outros sambistas que nos deixam saudades. Boa sorte a nova dupla de gênios no Céu, Jamelão e Caymmi, rezei para que Cartola logo fizesse as boas vindas numa letra divina.

Logo após foi hora de exaltar, aliás, o samba de exaltação foi seqüenciado da maneira que mais gosto, com 1993, “Dessa fruta eu como até o caroço”. É uma música que até quem não é mangueirense, como o célebre sambista Beto Fim de Noite diria, fica com vontade de ser.


“ENTRE TANTOS TIPOS DE MANGUEIRA
HÁ UMA ESPECIAL…
NA ESTAÇÃO PRIMEIRA
ELA SIMBOLIZA O SAMBA
É A UNIÃO DE GENTE BAMBA
ONDE DESABROCHAM TANTAS FLORES
E HOJE LINDA… TE VEJO MAIS BELA…
NESSA PASSARELA VOCÊ EXPLODE CORAÇÃO
MANGUEIRA… ESTOU TÃO FELIZ!
É VERDE-ROSA É VERDE-ROSA A MINHA EMOÇÃO”

Depois, foi a vez de sambas e mais sambas memoráveis que graças a estes eventos, não ficam na saudade. Logo após o Fervo, começou a disputa. Os sambas foram apresentados por seus intérpretes. É bom bater papo com o ninho de celebridades que aquilo fica. Era Wantuir para um Lado, Tinga para o outro e por aí vai. Gracyane, para variar ofuscado por VERDE E ROSA ficou pouco tempo sambando, deixando espaço para às pratas da casa que deram um espetáculo no chão.

Dos sambas apresentados, nenhum dos bons deixou a quadra, mas também nenhum dos fora do nivelamento continua na disputa. A partir deste sábado, só sobrou quem mereceu. Até agora, o comitê julgador está fazendo seu trabalho direitinho, sem injustiças e influências. Tomara que se siga assim! Na minha opinião, os que caíram foram, um samba insignificante e sem divulgação de forma alguma, a fraca composição de Alexandre Nascimento, Ailton, Braian Soares e J. Oliveira e o tosco samba já citado aqui da dupla formada pelo ex-tesoureiro Antunes King e sua mulher, Olímpia. Já pensou a Mangueira entrando na avenida com as pérolas a “Cobra vai Fumar”, “Mucama virou chacrete” “Caipira viaja na Internet” e a mais preciosa de todas, chamando “Índias guerrilheiras”, DEEEUS, tinha que ter uma ala das FARC! Não sei se faltou dicionário ou sobrou cerveja!

Todos os outros sambas estavam bem interpretados e com letras interessantes, salve alguns pequenos deslizes na maioria deles. Entre os que pegaram, vejo uns 6 na minha opinião com força para ganhar. A safra que achava mediana vem mostrando força na quadra, já decorei quase todos. A maioria destes com seus apelos visuais, faixas, bandeiras, animação, até fogos começaram a ser usados, ficaram lindos vistos pelo teto retrátil que só a Manga tem. Dois destes seis passaram sobrando, mas prefiro não dizer e pedir que as pessoas compareçam ao Palácio conferir no sábado que vem. O evento acabou após as 5 horas da manhã, e até lá, banheiros limpos e sem fila, quadra sem a conhecida lama, a limpeza fez bem seu trabalho, cerveja gelada, a caipirinha mais caprichada da cidade e os novos pratos de salgadinhos que estão de enlouquecer. Será eu voltarei? Claro!

Ainda estão na Disputa as parcerias:

- Paulinho Rocha, Vicente Felisberto e Fininho
- Eraldo Caê, Paulo de Carvalho, Diego Cabral e Bitú G-Sé
- Marcus Muniz, Renan Brandão, Machado e Marcelo Nunes
- Lequinho, Jr. Fionda, Gilson Berini e Clarão
- Celso Tropical, Catranca, Marcelo Santa Clara e Partidinho
- Jorge Nascimento, Rodrigo Carioca, Jorge PQD e Jorginho Bonsucesso
- Índio da Mangueira, Luisinho Oliveira, Daniel do Riachuelo e Beto Savana
- Zeca Monteiro, Bete da Mangueira, Deija e Valter Veneno
- Gustavo Louroza, Vanderson, Junior e Dirley
- Aníbal, Jerônimo GG, Pope e Jurandir Terra
- Tuaregue, Jocelino, Paulo Beto e Madeira
- David Corrêa, Marcelo D’Aguiã, Resemar da Mangueira e Bizuca

Saudações Mangueirenses

Os doces delírios de Dona Olímpia

sexta-feira, agosto 15th, 2008

untitled Se existe algo de que os mangueirenses se orgulham, é que, depois de todo desfile desastroso, a Verde e Rosa se levanta, forte como nunca. Foi assim em 1978, depois do sétimo lugar um ano antes; foi assim com Dorival Caymmi em 1986; e seria assim, também, no primeiro carnaval da década de 90, que inaugurava uma famigerada era de desfiles cada vez mais frios e tecnicistas.

O fracasso da Manga em 1989 tinha razões bastante claras: um enredo estranhíssimo e oportunista, falando dos grandes nomes das noites cariocas: Walter Pinto, Carlos Machado e o empresário Chico Recarey (um dos envolvidos com a tragédia do Bateau Mouche, no réveillon de 1988); um samba-marcha bastante mal-escrito; carros compactados e pouco belos; e uma certa frieza por parte dos componentes da agremiação.

61129Por tudo isso, a escola precisava dar a “volta por cima” em 1990- e foi o que aconteceu. Contratou os carnavalescos Ernesto Nascimento e Fábio Borges, que, lisergicamente, bolaram o fabuloso enredo E deu a louca no barroco, centrado em Ouro Preto e na figura de Olímpia Angélica de Almeida Cota (1888-1976), popularmente conhecida em Minas como Sinhá Olímpia.

Dona Olímpia, por si só, já era uma figura lendária: criada em família aristocrática nos primeiros anos da República, enlouquecera de amor, e virou uma andarilha de Ouro Preto, abrindo mão da riqueza material de sua família e contando incríveis histórias, nas ruas, aos moradores e turistas que por lá passavam. Vestida de forma extravagante e escandalosa, cajado na mão e chapéu de flores artificiais e tules na cabeça, Olímpia vivia, certamente, numa realidade melhor que a nossa. Nas suas histórias, ela também era personagem: dizia ter tramado a Inconfidência junto a Tiradentes; dizia ter sido noiva de D. Pedro II e amante de Chico Rei; e afirmava a quem quisesse ouvir que esteve no céu, pedindo a Nossa Senhora, com sucesso, que livrasse a sua Ouro Preto do Apocalipse. Dona Olímpia era tão emblemática em Minas que conheceu, de fato,o presidente Juscelino Kubitschek e a cantora Rita Lee, que, pasma, alcunhou-a de “a primeira hippie” do Brasil .

epm90-9 Essa figura fantástica, movida a fantasia, era o enredo da Velha Manga para 1990. Como seu afilhado, o Salgueiro, a Mangueira trazia à memória coletiva personagens esquecidos da história do Brasil. Para uma proposta desse naipe, era preciso um samba à altura. E foi assim que, mais uma vez, a tríade mágica Hélio Turco, Jurandir e Alvinho criaram um dos mais belos sambas já cantados na Sapucaí:

“Viveu

Em Vila Rica a Cinderela

Entre sonhos e quimeras

De raríssimo esplendor”…

epm90-7Assim, a Estação Primeira pisou a Sapucaí como a terceira escola a se apresentar no dia 26 de fevereiro, segunda-feira de carnaval. E a platéia sentiu que somente naquele segundo dia é que o samba verdadeiramente começava. Em uníssono, todos cantavam o mais belo refrão do carnaval:

“Sinhá Olímpia

Quem é você

Sou amor, sou esperança

Sou Mangueira até morrer”…

epm90-11 A comissão frente, verde e dourada, representava os arautos de Dona Olímpia; o carro abre-alas trazia o surdo coroado e vários anjos barrocos que o sustentavam. Só essa abertura já era de enlouquecer. Mas o grande carro da escola ainda estava por vir: uma réplica perfeita da Igreja de São Francisco de Assis, em verde e branco, com uma grande escadaria tomada por hippies e alternativos. Acima, a primeira aparição de Dona Olímpia no desfile, vestida de fitas, cajado e flores, representada magistralmente pela cantora-diva Marlene, que por sua vez não escondia o encantamento diante de uma platéia embevecida.

Em seguida, alas que mostravam o movimento hippie, de perucas e paz-e-amor e fantasias que encarnavam a própria Sinhá Olímpia. A estrutura do desfile, tradicionalíssima, fez a escola voltar aos velhos tempos: tripés anunciavam as partes do enredo. Assim, depois da apresentação, o segundo tripé anunciava “As histórias que Dona Olímpia contava”: sua participação na Inconfidência Mineira, seguida de carro com mesmo nome; fantasias de casarios e luminárias que mostravam os lugares onde os revoltosos se encontravam; o fabuloso carro “Carruagem”, em verde e ouro-velho, aludindo ao seu noivado com D. Pedro II:epm90-5

“E assim, imperando no salões

Em seu doce delírio

Conquistou corações

Acalentou o ideal da liberdade

E transformou toda mentira

Na mais fiel realidade”…

mangueira90 Durante o desfile, transformando a mentira em realidade, os sonhos em vida, não houve quem não se emocionasse. Tanto pela beleza de uma plástica assumidamente kitsch, com metalóides, tules, verdes fortes e rosas mais fortes ainda (que hoje, curiosamente, fazem falta), quanto pelo chão inacreditável,e pelo samba que era, sim, uma oração, além da arrebatadora bateria de Mestre Taranta, talvez em seu melhor momento. O casal de mestre-sala e porta-bandeira, Lilico e Tidinha, foi um espetáculo à parte: de preto, rosa e ouro, fizeram uma apresentação irretocável, justamente no ano em que ele anunciava sua triste despedida da Passarela. epm90-2

O setor seguinte ilustrava as “visitas” que dona Olímpia recebera: Dona Beja, Chica da Silva, Conde d´Eu, Luís XVI, nas fantasias de nobres e damas e no magnífico carro “O Palácio da Coroação”. Esse carro, aliás, trazia no papel de “Dona Olímpia coroada” a sempre querida Maria Helena, hoje coordenadora dos destaques da escola e que foi seguramente o nosso mais importante destaque feminino por décadas.

Mangueira-19902 O “Cortejo a Chico Rei”, setor seguinte, era um deslumbre. Alas de mineradores e alegorias de mão, como pálios e sombreiros, reviviam os antigos carnavais da Praça Onze, emoldurando a figura de Chico Rei, que vinha no chão, em ouro e branco. Esse mesmo setor apresentava a ala das baianas da escola, vestidas de damas da corte, numa explosão barroca de ouro total, com direito a anjinhos e frutas na cabeça. Um mar dourado invadiu a pista, em meio ao rosa e ao verde, não deixando mais ninguém na incerteza: ali estava a campeã do carnaval. O público e os próprios componentes deliravam, junto com Sinhá Olímpia, e aquele sonho dourado parecia não mais ter fim:Mangueira-19901

“Vai, contar estórias no infinito

Vai, não haverá amanhecer”…

Os segmentos finais da escola mostravam a “Cinderela de Vila Rica” no céu, junto a Nossa Senhora, e o último carro, repleto de animais peçonhentos e seres estranhos, ilustrava o Apocalipse, que não atingiria Ouro Preto por glória e graça de Dona Olímpia. Mas os sonhos e devaneios sempre perdem para a dura realidade. Por incrível que pareça, o carro da coroação teve seu eixo de direção quebrado, atrasando o desfile da escola; e a alegoria seguinte, “Dona Olímpia no Céu”, perdeu também o rumo na pista, invadindo desgovernadamente um e outro lado do asfalto. Muitos choraram, porque a escola, “bailando na imensidão”, estourou o tempo regulamentar de 90 minutos, perdendo cinco pontos do júri oficial. Era a mais fiel e cruel realidade tentando abafar os mágicos delírios da Velha Manga e de todo o país, que cantou junto com a escola e com os velhos sambistas.epm90-8

A verde e rosa conquistou em 1990 nada menos que seis estandartes de ouro, incluindo o de melhor escola. A apuração de 28 de fevereiro revelou surpresas: muitas agremiações perderam pontos- algumas em cronometragem, como a Mangueira, outras em dispersão, como Mocidade e Portela. A verde e branco de Padre Miguel, porém, levou dez em todos os quesitos, e ainda que tivesse perdido os mesmos cinco pontos que a Estação Primeira, sagrou-se campeã absoluta, com o enredo Vira virou, Mocidade chegou, que contava sua própria história. Os jurados, atribuindo várias notas oito e nove à verde e rosa, principalmente em evolução, alegorias e fantasias, não entenderam muito bem o seu desfile, e preferiram a técnica de Mocidade e Beija-Flor, já dando sinais de que o desfile teria de ser cada vez mais caro- e mais gélido- para levar o campeonato. Com incompreensíveis quinze pontos atrás da primeira colocada, a Mangueira amargou um terrível oitavo lugar, invocando uma “maré baixa” que permaneceria na escola pelo menos até 1996. No mundo das “superescolas de samba S/A”, a Velha Manga demoraria a encontrar o seu lugar.

Muitas vezes, porém, o povo, alheio às decisões do júri, escolhe a sua campeã do coração, e nunca mais de esquece de um desfile como o da Mangueira em 1990, brilhante “como o sol da primavera”. Como bem diz a música “Dona Olímpia”, que Toninho Horta fez em homenagem à “louca do barroco”, cantada lindamente por Milton Nascimento:

epm90-6 “Vê se não esquece de sumir
É ficou assim, caiu no ar
É passou assim, não quer passar”…

Dona Olímpia, “caindo no ar”, encantou-se para sempre. E mais: há quem diga, até hoje, que ela, no carnaval, sai a pé de Minas com suas fitas e flores e se manda para o Rio de Janeiro, para acompanhar o desfile de sua escola adorada, do alto da Praça da Apoteose. Dizem também que a senhora hippie às vezes chora, em outras dá muita risada, mas de uma coisa tem total certeza: os jurados dos anos 2000, esses sim, são muito, mas muito mais doidos que ela, e não no bom sentido.

Fabio Cesar Alves é professor de literatura, estudioso do carnaval carioca e desfilante da mesma escola de Sinhá Olímpia.




Enredo: E DEU A LOUCA NO BARROCO

Autor(es): Hélio Turco, Jurandir e Alvinho


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O Século do Samba

quarta-feira, agosto 13th, 2008

Em meados de 2008, muito se especulava sobre qual seria o enredo escolhido pela Estação Primeira de Mangueira para o carnaval de 2009. Em uma de suas declarações, a atual presidente da escola, no intuito de tranqüilizar sua apaixonada torcida, declarou num alto e bom tom para todos: A Mangueira está escolhendo o maior enredo de sua história para o próximo carnaval!

Essa afirmação naturalmente faz o mais ilustre e apaixonado mangueirense pensar: Será? O que vem por aí?

Tantos foram os enredos que a verde e rosa levou pra avenida que fica difícil se escolher o melhor enredo da história da Mangueira. Tudo bem que cada mangueirense tenha a sua opinião, que opte por determinado momento, afinal, tantos foram os enredos bem sucedidos, tantas conquistas… Se o mais apaixonado e ilustre mangueirense foi conclamado a pensar sobre o maior enredo da escola, eu, um simples , reles, mas não menos apaixonado que eles “deixei minha mente vagar…”

Parei no ano de 1999… A Mangueira ebulia expectativas… O ano de 1998 nos trouxera um campeonato que há anos era esperado… Motivada, a comunidade da escola, seus diretores, e principalmente a torcida apostavam todas as suas fichas num tema inédito, carismático, histórico e apaixonante. Tudo haver com a escola mais querida. Mangueira vinha que vinha para o carnaval 98.

O samba escolhido era um primor. A gravação estupenda trazia ainda um empolgadíssimo Alexandre Pires e a potente voz do grande mestre. A escola ainda tinha um empolgadíssimo carnavalesco, Alexandre Louzada, que acabara de entrar para o seleto grupo de carnavalescos vencedores (foi carnavalesco do carnaval de 98, Chico Buarque da Mangueira), onde mostrou muita competência e estava de fato enchendo os olhos da nação mangueirense. E ainda tinha uma bateria consistente, um chão forte, um diretor competente (Elmo José dos Santos), e um iluminado Carlinhos de Jesus, que também tinha adentrado ao mundo do samba no ano anterior, e vencido todos os prêmios possíveis com a sua comissão de frente sobre os malandros. Não faltava nada… Mangueira era “pule de dez”, ninguém ousava dizer que a vitória não viria…

Autor(es): Adalberto, Jocelino e Jerônimo


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O desfile começou fazendo o povo chorar… Chorar de emoção… A comissão de frente trazida pela escola propunha uma reencarnação dos mais ilustres sambistas que o mundo já tinha visto… “Sinhô, Ismael, Pixinguinha, Cartola, Noel, Candeia…”, Clara Nunes, Mestre Fuleiro, Donga, Clementina de Jesus, Nélson Cavaquinho… Enfim, todos que realmente mereciam estar ali. E ainda trazia sentado num banco de vime, no seu abre-alas, Zeca Pagodinho, Martinho da Vila e Moreira da Silva…

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Considero essa apresentação o maior momento do carnaval brasileiro de todos os tempos. A Comissão de Frente da Mangueira de 1999 é a maior expressão carnavalesca que já passou pela avenida. Dali pra trás, o que viesse seria um marasmo. O Carnaval de 1999 parava ali. Nem precisava de mais nada…

E foi o que aconteceu. Depois daquela apresentação, estranhamente a Mangueira desfilou morna, as suas alegorias era belas sim, porém ofuscadas pelo grande acontecimento inicial. Problemas na sua evolução e harmonia levaram a escola para uma desastrosa sétima colocação (não que merecesse). O enredo, apesar de bem desenvolvido, merecia um pouco mais de carinho e competência do até então inexperiente carnavalesco, que também pecou e errou a mão em algumas alegorias e fantasias.

Fiquei incrédulo com o resultado. Apesar de tantos que souberem quem foi a escola vencedora daquele ano, poucos tomam como referência desse carnaval o seu desfile… E particularmente fiquei muito triste por não poder rever aquela comissão de frente participar do Desfile das Campeãs. 1999 foi o carnaval que a Mangueira não venceu!

Nunca fui a favor de reedições. Acho que limita a criatividade e sufoca o ineditismo. Mas se algum dia, a minha querida Mangueira for refazer um carnaval, que refaça esse e dê a ele um desfile merecedor de respeito, carinho e admiração… Um desfile competente! E que reedite aquela comissão de frente também…

Alessandro Bertea Mendes é mangueirense, convidado pelo Rafa Sampaio para escrever sobre a escola. E se sente muito honrado por isso.

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