“Max Lopes, O Mago das Cores”
quinta-feira, julho 31st, 2008
Max Lopes, formado pela escola de Arlindo Rodrigues, começou no carnaval no início da década de 70, no Acadêmicos do Salgueiro, junto a grande Rosa Magalhães, se tornou um dos maiores e um dos mais importantes artistas do carnaval brasileiro, e o único Imortal da Academia Brasileira de Bellas Artes.
Começou sua carreira na Unidos de Lucas, no ano de 1976, com o enredo “Mar Baiano em Noite de Gala”. Não obteve grande sucesso, sendo rebaixado com a escola, mas no ano seguinte foi contratado pela Imperatriz Leopoldinense, onde passou em 1978 um dos episódios mais “cômicos” do carnaval: ele desenvolvia o enredo “Vamos Brincar de Ser Criança”, onde a Emília, personagem dos livros infantis de Monteiro Lobato fazia parte da comissão-de-frente, atrasou a escola, pois a barba tinha crescido, e mesmo assim, uma criança notou e começou a gritar a todos “A Emília é homem! A Emília é homem!”, mas tirando esse episódio, foi um bom desfile do Max, com temática infantil.
Na década de 80 se consagrou com um grande carnavalesco no ano de 1982, com o enredo “É Hoje!”, na União da Ilha, alcançou o 5º lugar, desfilando no domingo de carnaval.
União da Ilha – 1982 – “É Hoje!”
No ano seguinte, 1983, foi para a tradicional Estação Primeira de Mangueira, e desenvolveu um enredo em homenagem a escola e a Cartola, “Verde Que Te Quero Rosa… Semente Viva do Samba”, ficando em 4º. Mas a sua ascenção maior e consolidação profissional vieram em 1984, onde ainda na Verde-e-Rosa da Mangueira, desenvolveu o enredo “Yes, Nós Temos Braguinha”, em homenagem ao compositor João Barros e levando a Estação Primeira de Mangueira ao campeonato no primeiro ano do sambódromo, um título inédito e exclusivo,um supercampeonato, conseguindo nessa época o título de Mago das Cores, pelo ótimo uso de cores.
Estação Primeira de Mangueira – 1984 – “Yes, Nós Temos Braguinha”
Nos anos seguintes foi para rica Vila Isabel, onde se fez um carnavalesco luxuoso, desenvolvendo grandes desfiles na escola de Noel Rosa, o mais famoso deles em 1987 “Raízes”…
Unidos de Vila Isabel – 1987 – “Raízes”
Lá se consolidou como o melhor carnavalesco no uso das cores, mas em 1988 enfrentou problemas no barracão com roubo e etc. Em 1989, voltando à Imperatriz Leopoldinense, Max levou a escola ao campeonato, falando sobre o centenário da proclamação da República, com um desfile muito luxuoso e requintado, o mais bonito daquele ano, merecidamente campeã.
Imperatriz Leopoldinense – 1989 – “Liberdade!Liberdade! Abra Asas Sobre Nós!”
Na década de 90 não obteve grandes êxitos, mas ficou na história do carnaval. Em 1990 subiu com a Unidos do Viradouro, e em 1991 homenageou a grande atriz e comediante Dercy Gonçalves, um desfile que ficou na história pelo luxo e o bom gosto, e também pela Dercy ter posto os seios de fora. Em 1992 foi personagem de um dos momentos mais tristes com um acidente que aconteceu no sambódromo, o último carro passou pegando fogo, atrapalhando toda a escola que estava sendo aclamada como campeã, falando sobre a saga dos ciganos com o enredo “… E a Magia da Sorte Chegou!”
Unidos do Viradouro – 1992 – “…E a Magia da Sorte Chegou!”
No ano de 1997 infelizmente caiu com a Estácio de Sá, que passava por diversos problemas financeiros na época, e no ano seguinte, 1998, foi para nova Acadêmicos do Grande Rio, onde desenvolveu um grande enredo em homenagem ao Cavaleiro da Esperança, Luíz Carlos Prestes, grande personagem da vida política desse país.
Em 2000 voltou à tradicional Estação Primeira de Mangueira, que vinha de alguns resultados ruins. Max modernizou toda a escola, implantando chassis motorizados, maiores, mais luxo, uma reorganização da Verde-e-Rosa, e em 2001, a Estação Primeira voltou ao sábado das campeãs depois de dois anos, com o enredo em homenagem aos Fenícios / Sírios, “A Seiva da Vida”. Em 2002 Max Lopes, homenageou o nordeste, com o enredo “Brazil com ‘Z’ é pra Cabra da Peste, Brasil com ‘S’ é a Nação do Nordeste”, levando a Estação Primeira ao seu 18º título, e chegando ele ao seu 4º, fazendo um desfile inesquecível e de extrema alegria e bom gosto.
Estação Primeira de Mangueira – 2002 – “Brazil com ‘Z” é Pra Cabra da Peste, Brasil com ‘S’ é a Nação do Nordeste”
No ano de 2003 trouxe o enredo “Os Dez Mandamentos! O Samba da Paz Canta a Saga da Liberdade”, falando sobre os egípcios, trazendo o maior carro da história do carnaval, com 87 metros. Era o abre-alas da escola, que trouxe um grande desfile, o mais bonito e requintado daquele ano, sendo aclamada como bicampeã pelas arquibancadas e pelos jornais, mas chegando apenas ao vice-campeonato. Nos anos seguintes desenvolveu grandes enredos na Estação Primeira, em 2004 trouxe um enredo falando sobre a Estrada Real com a parceria do estado de Minas Gerais, obtendo o 3º lugar. Em 2005 resolveu inovar, com parceria da Petrobrás e da Eletrobrás, trouxe um enredo sobre a energia, um desfile high-tech, fugindo um pouco do estilo tradicional da Estação Primeira e barroco seu, não alcançando grande êxito e não sendo unanimidade, ficando em 6º lugar. Em 2006 resolveu voltar às suas raízes, trouxe um desfile de extremo bom gosto e requinte sobre o Rio São Francisco, falando sobre a história e os benefícios que hoje ele trás ao povo do sertão nordestino que sofre muitas vezes no ano com a estiagem de água. A escola foi aclamada como campeã, mas infelizmente alcançou apenas o 4º lugar, por uma nota injustificada sobre o gosto pessoal do jurado que disse “não gostar das cores Verde-e-Rosa que foram apresentadas em demasia no desfile”. Porém, Max Lopes alcançou um título inédito para um artista de cultura popular, de Imortal da Academia Brasileira de Bellas Artes. Em 2007 falou de literatura, trouxe um grande enredo sobre a Língua Portuguesa, um desfile alegre e muito bonito, alcançando o 3º lugar, mas recebendo o carinho de dois grandes mangueirenses, Marquinhos e Geovanna, primeiro casal de Mestre-Sala e Porta-Bandeira da Estação Primeira de Mangueira, sendo chamado para apresentá-los durante o desfile. Em 2008, a Estação Primeira de Mangueira resolveu falar do nordeste novamente, com parceria da prefeitura de Recife, homenageando o centenário do Frevo, a falar sobre seu fundador, que comemora este ano seu centenário. A escola passou por momentos difíceis, ficando em 10º lugar.
Para o carnaval 2009 Max Lopes foi para o outro lado da poça, a Unidos do Porto da Pedra, onde desenvolverá um enredo divertido e solto sobre a curiosidade através da história.
Max Lopes, todos os mangueirenses têm muito a te agradecer por esses 8 anos de Estação Primeira de Mangueira, por ter trazido a escola 7 das 8 vezes no sábado das campeãs, 3 deles merecidamente campeã.
Desejamos boa sorte em sua nova caminhada, e esperamos em breve sua volta ao Palácio do Samba, que estará sempre de portas abertas para você, Max Lopes, o Mago das Cores.
Clêi V.



























