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By N2H

Archive for junho, 2008

Chico Buarque da Mangueira – A Ópera que o malandro é!

domingo, junho 29th, 2008

chico_04 Talvez nem ele nem ninguém tenha conseguido descrever O Malandro. A questão é que a palavra já nos remete a algo negativo, sem romance. Alguém acredita nisto? É tudo mentira; o malandro sempre foi uma palavra que exerce certo fascínio, é diferente do vagabundo. O malandro é sinônimo de sucesso com a mulherada, o que a geração “cool” de hoje chama até mesmo de personagem “Cult”, e a de ontem chamava de descolado. Prefiro dizer que Chico é “O CARA”, como uma só palavra. Tudo que envolve o romance da malandragem voltou à moda. O samba, a Lapa, o charme, a flexibilidade, talvez a Navalha tenha sido o único item que ficou démodé, mas eu re-lançaria a moda se fizesse barba.

000001 No sambinha “Lenço no pescoço”, de Wilson Batista, mais conhecido por todos por ter sido cantado por Sílvio Caldas, já em 1933 definia:

"Meu chapéu do lado / Tamanco arrastando / Lenço no pescoço / Navalha no bolso / Eu passo gingando / Provoco e desafio / Eu tenho orgulho / Em ser tão vadio. / Sei que eles falam / Deste meu proceder / Eu vejo quem trabalha / Andar no miserê / Eu sou vadio / Porque tive inclinação / Eu me lembro, era criança / Tirava samba-canção"

imageAcho que esta visão ainda era a de 33, o malandro a que me refiro é o de anos depois, aquele retratado em 2008 pelo Salgueiro, um malandro mais Rei da Boemia, Carioca, da Lapa. O samba chega a tratá-lo como um patrimônio cultural, mas o ponto alto é que ele é banhado de alegria, tira onda, dá um jeito e a vida é o carnaval. A bateria perfeita, arrebentou a Sapucaí cheia de 10 e uma paradinha com gingado, pra lá de malandro. E talvez este tenha sido o inspirador da Ópera do Malandro.

A questão é que Chico exerce este fascínio. Confesso que demorei a entender o Samba da Estação Primeira de Mangueira de 1998.

“É O CHICO DAS ARTES… O GÊNIO

POETA BUARQUE… BOÊMIO

A VIDA NO PALCO TEATRO E CINEMA

MALANDRO SAMBISTA CARIOCA DA GEMA“

chicomang MALANDRO SAMBISTA? OK, Chico é um sambista entre muitas coisas. Mas malandro? “Garoto da Zona Sul”, filho de pai intelectual, cosmopolita, poliglota. Será que não vi algo em Chico? As coisas começaram a fazer sentido, quando eu estava fora do país e ao sair com uma amiga, ela disse: Rafael, quem é este sujeito cantando, ele não canta nada! CALMA AÍ… COMO ASSIM? É o Chico Buarque, sou fã do cara, você está ouvindo Construção, uma das maiores obras dele, Cotidiano. Mas aí caiu a ficha, Chico Buarque é um cantor fraco, não tem voz. Mas quem está aí para a voz do cara. A gente gosta é da letra, da música, do violão, do charme, da malandragem, a voz é um mero detalhe. E nisto comecei a ver a malandragem de Chico e resolvi ler mais sobre ele.

chicoviniciustom Chico teve a vida de um garoto longe dos problemas que fazem alguém ser malandro, estudou em bons colégios, morou na Itália, conviveu com intelectuais, poetas como Vinicius de Moraes. Mas a vida dele sempre teve carnaval, e logo veio a malandragem. A primeira aparição do Chico Buarque na imprensa não foi por alguma crônica interessante ou alguma poesia singular, foi por ter furtado um automóvel junto com um amigo para curtir a madrugada paulistana. Chico fora chamado de pivete nas manchetes dos jornais. Talvez ali, as pessoas que leram fizeram pré-julgamentos a respeito daquele “pequeno delinqüente”. Ninguém esperava que naquele ladrãozinho de carro, tinha mais que um malandro, mas um gênio na arte de ser isto.

chico e morenaUma das maiores habilidades do malandro está na flexibilidade. Este é o quesito que Chico domina. Outra importante marca é a fascinação que exerce sobre o sexo oposto. Chico é impressionante neste ponto. Longe de ser um garotão, o malandro que fará 64 anos de idade, é um intelectual, poeta, um cara calmo, e, é claro, tem a qualidade mor do malandro: um charme incontestável pela mulherada. Esta mistura, faz com que meninas já aos 15 anos de idade, comecem a literalmente babar por ele. E ainda depois da separação, Chico é um "senhor solteirão”, dos mais cobiçados. Até mesmo sua traição estampada nos jornais e revistas sensacionalistas, teve charme, as mulheres suspiraram, queriam estar no lugar da nobre-desconhecida-amante. O malandro deu glamour até na pulada de cerca, Chico foi malandragem em cima de malandragem.

A poesia, as crônicas, as marchinhas, as músicas, os livros, as peças de teatro, as participações no cinema, até no futebol, descobri que com tanta coisa, nem sei mais dizer no que Chico é bom ou ruim, ele foi malandro a ponto de me enganar sobre ser uma grande voz. Chico conseguiu com sua malandragem, tirar proveito até do exílio. Foram viagens, parcerias, novas idéias e ideais. Nesta época Chico com elegância ímpar, dava "porrada" de mão aberta na ditadura. O objetivo era não deixar marcas. Genialidade, malandragem?

Chico sempre esteve lado a lado com a Estação Primeira. Participou, ajudou, frequentou, citou, fez a parte dele muito bem e até hoje, mostra seu lado verde-rosa. Sempre declarou que cantar Mangueira é uma honra para ele. E a Manga respondeu à altura: Chico foi sinopse de sobra para o carnaval de 1998. O malandro que é uma ópera com todos os atos, tinha prestígio para ser homenageado em vida, um prazer para poucos. Não satisfeito com isto, o enredo contou tanta história, que acabamos campeões. Um carnaval malandro, com política, artes de todos os tipos, um gingado delicioso e um dois mais simpáticos refrões que a Sapucaí ouviu.

http://odia.terra.com.br/blog/sambaderede/images/marco_2008/Mulheres-de-Chico%20-%20val.JPGAgora, Chico está, como bom malandro, cercado de mulheres. Tem um bloco em sua homenagem, o concorrido "Mulheres de Chico" que desfila no Leblon na noite do sábado de carnaval. Na bateria, mais de 30 mulheres (belas) entre 25 e 35 anos! Chico está bem? Não, Chico está ótimo. TODAS as meninas tocam no bloco por serem apaixonadas por ele, mesmo com o dobro da idade. Um dos DVDs mais disputados das lojas, "Mulheres de Holanda ao vivo", não é preciso nem falar, não é? É uma mistura de Teatro, Musical, Poesia, Show, malandragem, tudo feito por mulheres. Chico encanta e mesmo assim continua Low Profile. É o charme de quem sabe como tocar a alma feminina e de todos que admiram suas obras. A malandragem de Chico sabe que tem muito a aprender com a malandragem da Manga, uma dupla sinérgica que é um sucesso até hoje.


O sambista Tantinho da Mangueira é o destaque do Feitiço Mineiro

quinta-feira, junho 26th, 2008

Escrito Por: Irlam Rocha Lima Do Correio Braziliense

tantinho_materia O sambista Tantinho da Mangueira é o destaque do Feitiço Mineiro "É com muito honra e responsabilidade que trago o nome da minha querida escola associado ao codinome artístico que adotei. Ao longo da carreira, tenho buscado não decepcioná-la. E acredito que tenho conseguido." Quem afirma orgulhoso é Devani Ferreira, mais conhecido por Tantinho da Mangueira, sambista integrante da velha guarda da Estação Primeira e, hoje, uma das suas figuras mais representativas.

Mangueirense de nascença, Tantinho – que se apresenta no Feitiço Mineiro, nesta quarta-feira (25), pelo projeto Gente do Samba – milita na escola desde 1952. "Era criança quando participei de um desfile pela primeira vez, com o enredo sobre o poeta Gonçalves Dias. Desde então, nunca mais deixei de sair na verde-e-rosa, que se transformou numa das minhas paixões. Enquanto força tiver, sempre vou cantá-la e exaltá-la", proclama.

A ligação do compositor com a Mangueira é tanta que ele demorou muito a se lançar como cantor. "Faço samba desde a adolescência. Sempre fui freqüentador assíduo das rodas de partido-alto no Buraco Quente, Chalé e Três Tombos (favelas que integram o Morro da Mangueira). Fiz parte do grupo Originais do Samba e atuei como músico, tocando tamborim, em gravações de Jamelão e Zé Keti", lembra.

Faz apenas 10 anos que ele decidiu levar adiante a carreira individual. "Depois de muitos shows, fui aconselhado a gravar meu primeiro disco solo, o que fiz em 2006. Antes, havia participado, junto com outros sambistas, do Velha Guarda da Mangueira e convidados; Mangueira, sambas de terreiro e outros sambas, Um ser de luz – Saudação a Clara Nunes; Partido ao cubo; e Xangô da Mangueira – Recordações de um velho batuqueiro", conta.

Tantinho, memória em verde e rosa, o CD de estréia, recebido com entusiasmo tanto pelo público quanto pela crítica, ganhou o prêmio Tim de Música em 2007 na categoria samba. "Vivi uma grande emoção quando subi ao palco do Theatro Municipal do Rio de Janeiro, para receber aquele troféu", afirma.

Boa parte do roteiro do show que Tantinho fará hoje no Feitiço Mineiro, acompanhado pelo grupo Samba & Choro, vem do CD Memória em Verde e Rosa. São sambas de terreiro e sambas-enredos das décadas de 1930 a 1960, entre eles, Pobre milionário (Nelson Sargento), Vivo no Mundo sem Felicidade (Modesto), Jequitibá (José Ramos), Exaltação à Mangueira (Enéas Brito e Alcides Costa), Meu Amor Já Foi Embora (Cartola e Zé da Zilda) e Brasil, Terra Adorada (Cartola).

Há também o partido-alto Vem Rompendo o Dia, iniciado por Xangô da Mangueira há 25 anos e concluído por Tantinho em 2002. Mas que ninguém espere ouvi-lo cantar 100 anos de frevo, é de perder o sapato: Recife mandou me chamar (Lequinho, Jr. Fionda, Francisco do Pagode, Silvão e Aníbal), o samba-enredo da Mangueira deste ano. O cantor anda triste por ver a escola "fugindo de sua finalidade".

Outro motivo de "grande tristeza" para o veterano batuqueiro foi a morte de Jamelão, presidente de honra da escola, no dia 14. "Não sei como será a Mangueira depois de Jamelão. Fomos muito amigos, o acompanhei em gravação de disco e em shows, conversávamos bastante. Era uma pessoa da maior integridade que ganhou, com certa justiça, a fama de mal-humorado, coisa que lhe conferia um charme a mais. Ele era assim com os malas que costumavam abordá-lo. Quando via algum deles se aproximando, fingia que estava cochilando, para não dar papo", comenta, saudoso.

Publicado em 25/06/2008: http://divirta-se.correioweb.com.br/materias.htm?materia=3352&secao=Programe-se&data=20080625

Alvinho declara que não disputará o samba da Mangueira

terça-feira, junho 24th, 2008

alvinho O boato aconteceu quando o ex presidente da Mangueira, Álvaro Caetano, o Alvinho, compareceu à entrega da sinopse e palestra do novo carnavalesco Roberto Szaniecki. Alvinho, que como compositor, escreveu grandes sambas e ganhou quatro disputas, entre elas, “Deu a Louca no Barroco” e “Se todos fossem iguais a você” declarou que “teria que ler com calma e ver se tinha condições de escrever um samba para este enredo”. Porém, ontem, durante o sorteio da ordem dos desfiles dos grupos de acesso, Alvinho declarou que não participaria da disputa do samba de 2009 da verde e rosa, que havia pego a sinopse apenas para pegar o texto para um amigo que mora em São Paulo. Com isto, aumentam ainda mais as chances da nova parceria, os ex rivais Gilson Bernini e Lequinho, cada um com vitória em quatro disputas e o reforço Gustavo Clarão, vencedor de um samba na Mangueira e oito na Viradouro e Júnior Fionda, outro grande vencedor do samba de 2007, Vem no vira da Mangueira. Apesar da presença de outros grandes nomes como Índio da Mangueira, Bira Show, Juruna, Gerônimo e David Corrêia, parece que não vai ser fácil disputar com a parceria.


Documentário sobre os 80 anos da Mangueira está sendo produzido.

terça-feira, junho 24th, 2008

darcy Está sendo produzido pela Fundação Darcy Ribeiro em parceria com a Mangueira, um documentário sobre os 80 anos de história da agremiação e sobre o próximo enredo da história “A Mangueira traz Os Brasis do Brasil mostrando a formação do povo brasileiro”. O enredo escolhido foi uma sugestão do Advogado e Diretor Jurídico da Associação dos Blocos Carnavalescos do Estado do Rio de Janeiro, Dr. Onésio Meirelles, marido da filha do cantor e compositor Zé Kéti, a produtora Geisa Kéti. Dr. Onésio, nascido e criado na Mangueira viu a riqueza do tema ao ler o livro “O Povo Brasileiro, a formação e o sentido do Brasil”, do antropólogo Darcy Ribeiro. O foco do documentário é acompanhar todas as etapas e processos da confecção do carnaval, desde a escolha do enredo até o final do carnaval, quando encerram-se as filmagens.

O ano em que a Mangueira virou Bahia

segunda-feira, junho 23rd, 2008

DSC01228 O ano era 1986. A Mangueira preparara-se para o carnaval enfrentando diversos problemas: após o fracasso do nono lugar de 1985, usando e abusando de (d)efeitos especiais, o “colaborador” da escola havia se retirado, e a falta de recursos era gritante; além disso, havia a possibilidade de desfilar sem o homenageado pelo enredo, Dorival Caymmi, em “Caymmi mostra ao mundo o que a Bahia e a Mangueira têm”. Os problemas financeiros foram contornados pelo saudoso e genial carnavalesco de formação popular Júlio Mattos, dono de uma fábrica de produtos de carnaval, que doara grande parte de seu material para o desfile da escola; e a decisão de Caymmi de desfilar foi recebida com garbo pela nação verde e rosa.

DSC01238 Assim, lá se foi a Mangueira na madrugada já de terça-feira apresentar o seu enredo. O terreno estava fácil: no domingo ninguém convencera; a Mocidade com as suas “Bruxarias e Estórias do Arco da Velha” jogara o bicampeonato pelo ralo com um desfile pesado, e o único empecilho era a Beija-Flor de Joãosinho Trinta, que havia feito um desfile memorável sobre o futebol, no qual os componentes passaram com água pelos tornozelos e, ainda assim, lavaram a alma da Baixada.

DSC01244 A Velha Manga, porém, vinha com outras águas: as águas de moringas e potes do Bonfim, as águas do mar de Iemanjá e de Mãe Menininha. A abertura, com as baianas da lavagem da escadaria, era arrebatadora. Uma sucessão de tons de rosa, verde e prata enchiam os olhos da avenida, enquanto o povo, nas arquibancadas, de pé, entoava, em uníssono, aquele que era um dos maiores sambas da história da agremiação e que fora composto por um jovem (e promissor) músico: Ivo Meirelles, com os parceiros Paulinho e Lula. Uma força sem precedentes tomou conta de todos, público e escola, e a impressão era de que a Mangueira iria “transbordar”, como o verde-mar da Bahia, para além dos limites do sambódromo:

Tem xinxim e acarajé

Tamborim e samba no pé

DSC01247 No desfile, as canções do genial Caymmi: o carro da “Preta do Acarajé”, as velas do “Canoeiro”, um setor inteiro dedicado à “Dora”, “rainha do frevo e do maracatu”, e, claro, Carmen Miranda (que aprendeu com Caymmi a revirar os olhinhos), em “O que é que a baiana tem”. Mocinha e Tidinha, deslumbrantes, carregavam como nunca o pavilhão da escola: uma de ouro, outra de prata, oxuns e iemanjás, Gantois e Abaeté:

Lua cheia, leva a jangada pro mar

Ó sereia, como é doce o seu cantar

mangueira86 Naquela hora, movida a amor e verdade, a Manga sobrou na Sapucaí. O carro de Dorival Caymmi, o homenageado, todo em prata, vinha carregado de estrelas, literal e figuradamente: além dos adereços, contava com a presença de Marta Rocha, beleza histórica da Bahia e do Brasil, e da neta do compositor, Marina (outra delas, Stela, escreveria muito tempo depois a biografia do avô, O Mar e o Tempo):

Mangueira, berço do samba

Caymmi a inspiração

Que mora no meu coração

Bahia terra sagrada

Iemanjá, Iansã

Mangueira supercampeã

mangueira862 A escola passou coesa, com a incrível bateria de mestre Taranta e Chimbica, com o samba histórico de Ivo, mais Clóvis Bornay vestido de Oxalá, e, claro, a presença luminosa de Caymmi e de todos os deuses. Sem dinheiro, mas muito bela, provocou uma comoção geral, um encontro do povo consigo mesmo, que via, através das alegorias e dos muitos adereços de mão, as canções do mestre passando no asfalto, transformado em mar baiano naquela noite de gala. Canções que parecem ancestrais, que já nasceram incorporadas à memória coletiva: as brincadeiras de roda, as sereias e pescadores, os balangandãs e a mulata do bole-bole. A Mangueira ficava baiana; a Bahia se vestia de verde e rosa. A supercampeã de 1984 recuperara-se sim, mais do que nunca, e mostrava naquele momento que não precisava de dinheiro e muito menos de efeitos fáceis para vencer o carnaval.

Na apuração, deu no que deu: nota dez em praticamente todos os quesitos, perdendo apenas um dos 215 pontos possíveis, o que garantiu à escola sua décima quarta vitória. Caymmi, finalmente, teve uma homenagem à sua altura. E a Velha Manga, um homenageado que era a sua cara, por tudo o que sempre representou no país e fora dele. Entre a água nilopolitana que caiu do céu, abençoando a Beija-Flor e a Adidas, e as águas do Bonfim das baianas de potes, os deuses escolheram a Bahia: das estrelas, a mais linda estava na Estação Primeira.

"Mangueira, Os Brasis do Brasil. Sentido e Formação de um Povo"

sexta-feira, junho 20th, 2008

“A Mangueira Traz Os Brasis do Brasil Mostrando a Formação do Povo Brasileiro.” Não é qualquer enredo, é um enredo falando do Brasil. Mas oras… Que Brasil é esse que iremos falar? O Brasil “internacional”, aquele que é feito uma imagem para os demais conhecerem, com histórias heróicas ou então boas lembranças, como copas do mundo de futebol?

Não… Arrisco-me a dizer que vai se falar, além disso, ou melhor, não se falará disso. Falar-se-á da formação do povo brasileiro, um povo sofrido, um povo sem cultura, um povo sem educação de base, por negligencia governamental. O Brasil descoberto por portugueses fétidos, e que encontraram com índios de sociedade atrasada, quase primitiva. Passando pela vinda dos negros, não negros heróis como Zumbi, mas aquele que passavam meses e meses navegando pelo Atlântico e condições desumanas, mas quem eram eles, se não para os ditos “cultos” portugueses, e europeus, seres abaixo dos ditos “humanos brancos”.

“Mangueira…

O teu cenário é uma beleza, que riqueza

Mangueira…

Teu tamborim está chorando de tristeza…”

Passaremos pela chegada dos imigrantes europeus no século XIX e XX, e aquela superpopulação do Rio de Janeiro, até a idéia de se fazer um Rio “à La Paris”, com todo o requinte arquitetônico (Theatro Municipal), da capital francesa. Aquela aglomeração de pessoas no centro, cortiços, “puxadinhos”, toda aquela aglomeração desorganizada, que pela visão de Pereira Passos, não poderia continuar, afinal o Brasil era uma República “democrática”, e tinha que avançar em todos os sentidos.

Brasis do Brasil Assim se foi fazendo o Brasil. O nordestino sendo criado com a plantação de açúcar entre a Bahia e Pernambuco, com a vinda dos primeiros imigrantes europeus que começaram a se relacionar com os índios. Mais tarde a chegada de diversas tribos africanas, de diversas culturas do continente mãe, para serem escravizados nos engenhos, e alguns anos ali com a descoberta do ouro na região de Minas e quase que simultaneamente começam a se criar os grandes cafezais no Brasil, a célula mãe, que deu impulso a sociedade que via o declínio da luta pelo ouro. A abolição da escravatura, a vinda de imigrantes europeus (finlandeses, italianos, alemães, poloneses (ainda pertencente ao recente Império Alemão unificado) e diversos outros povos que vieram para os grandes cafezais, e incrivelmente, até os povos do outro lado do mundo vieram aportar aqui. Os japoneses chegaram em 18 de junho de 1908, e aportam no porto de santos. Assim se criou o Brasil Nordestino, Brasil Caipira, Sertanejo, Sulista, e diversos outros Brasis, Brasis dentro dos próprios Brasis.

Jamelao_03 Mas toda essa formação geográfica teve um sentido, teve algo alem de apenas aspectos visuais e auditivos. Aspectos culturais, de costumes, que fez do Brasil, este país de medidas continentais, de divisões mil, de alegria e tristeza, criar uma cultura tão rica, tão diversificada, gerando uma sociedade de várias escalas, que claro tem seus problemas, muitos, mas que também tem suas alegrias, que joga pro alto todos os seus problemas, e cai no samba, e quer alegria maior que o samba de um povo? Creio que haja sim… A alegria de ser Mangueirense, de ter Cartola, D. Zica, Carlos Cachaça, Mestre Jamelão, D. Neuma, Delegado, D. Neide, Xangô, vários e vários poetas e compositores, de um povo sofrido, mas que não deixaram de ser felizes, poetas não dessa vida terrena, mas da vida eterna, é assim nossa Estação Primeira de Mangueira, e acredito que com a ida do nosso Mestre Jamelão para o lado de lá, teremos o céu mais Rosa a cada entardecer, e o mar mais Verde, mostrando que todo brasileiro, tem um pouco de Mangueirense!

Ah! Se todos soubessem como é bom ser Mangueirense…!

“… Mas o Samba em Mangueira

Vai continuar

Essa gente que é bamba

E não pode parar

Verde-e-Rosa, é Mangueira”

Clêi Valverde

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