Quando piso em Mangueira…
julho 2, 2009Escrito por: Clêi Valverde
Por: Eduardo Telles
Como é bom estar de volta, retornar ao solo sagrado de um sambista, mais ainda, a quadra da Estação Primeira de Mangueira. É como sempre uma oportunidade sem igual, sem dúvida um dia de muita alegria e cheio de emoções, e claro com uma feijoada que foi capaz de fazer fila. Foi para a primeira feijoada oficial aberta ao público uma festa bem popular, com um clima de ensaio pré-carnaval dos dias de sábado.
Como havia sido previsto, a Feijoada começou com homenagens. Sambas de Jurandir deram início a feijoada, recepcionando nós Mangueirenses do jeito que mais gostamos, com sambas da casa, as pérolas. Os primeiros que chegavam se adiantaram em comer a feijoada, gerando depois um grande problema, como alguns ingredientes que ficaram faltando e demoraram a serem repostos, como o arroz, por exemplo, e começaram a se formar filas, em até certo ponto aceitáveis, mas chegando a um ponto inaceitável e isso futuramente não pode se repetir. Quanto ao preço, muitos podem achá-lo caro, mas antes você entrava e o preço dava direito a comer uma única vez. Agora o preço é maior, porém inclui uma camisa confeccionada e o direito de repetir a comida. Podem achar que está cara, dizer até que nem todo mundo gosta de feijoada, mas se você pensar só na camisa e a entrada na quadra, ainda assim ela está barata, além do que você está na Mangueira, acho importante valorizar a nossa escola.
Um compositor marcou presença, cantou e encantou… Nelson Sargento. Sua presença é algo muito positivo, pois homenagear artistas da escola e ter alguns dos seus cantando para nossa nação é um sinal de respeito e valorização da própria escola, é como dar força as nossas raízes. Espero que isso volte a ser valorizado, que tenhamos a oportunidade de ver a velha guarda em um próximo evento e até mesmo nossos compositores sentindo novamente o prazer de se fazer sambas de quadra, sambas que exaltam a própria escola.

Um pouco mais tarde subiram ao palco os três “tenores” Luizito, Rhichhas e Zé Paulo, novamente vestidos com o smocking preto, diga-se de passagem um certo exagero, pois para três sambistas não tem nada a ver com nada, mas tudo bem, vamos ver que tipo de benefícios isso resultará. Durante a apresentação dos tenores, foi visivel um desencontro entre os cantores, Rhichhas parou de cantar e ficou em destaque Zé Paulo manteve o samba e Luizito falava com o pessoal da mesa, parecia ser problemas no som. Luizito se dirigiu ao Rhichhas como que incentivando-o a cantar, eu percebi ele dizendo: “vê agora vê se melhorou”. Era realmente problemas com o som. O fato seria simplesmente um problema no som se não fosse a postura do Rhichhas, se manteve com o semblante fechado , como quem não tivesse gostado. Espero que não tenha sido apenas vaidade perante os colegas de palco e que a Estação primeira realmente tenha realmente “três tenores”.Esse foi um momento dedicado a homenagear o Mestre Jamelão e Jurandir; sambas enredos foram cantados intercalando os cantores, resultando em um belo espetáculo. Os sambas foram CANTADOS, o Zé Paulo mostrou a sua competência e surpreendeu cantando lindamente o samba supercampeão de 1984 – “Yés nós temos Braguinha”. Uma pessoa ao microfone nos fez relembrar cada carnaval que seria cantado. Após os sambas, familiares de Jurandir agradeceram a homenagem.
Os momentos seguintes marcaram definitivamente esta festa; subiu ao palco o intérprete Sobrinho, que estava demasiadamente emocionado.
O cantor que há muitos anos possui grau elevado de miopia e com o passar do tempo vem perdendo a visão, fato que o motivou a procurar ajuda. Segundo o próprio Ivo essa homenagem estava programada para a primeira feijoada, na qual se deu a cerimônia de posse, no entanto um problema na portaria impediu o cantor de entrar na quadra. O cantor, ao lado do presidente, recebeu a noticia de que através da escola ele fará a operação para a correção da miopia. Essa foi sem dúvida mais que uma homenagem, foi um grande presente proporcionado pela sua escola, que como ele mesmo disse a escola do seu coração. E não foi só a emoção do Sobrinho que marcou aquele momento, cantando brilhantemente, soltou o vozeirão que lhe é peculiar. Enxerguei nele a pessoa que talvez seja a mais próxima do Mestre Jamelão, respeitando o samba e cantando de forma cadenciada. Muitas pessoas se emocionaram ao vê-lo cantar sambas muito antigos junto de integrantes da bateria, pedido feito por ele ao Ivo, entre estes foram: “Imagens poéticas de Jorge de Lima”, “Lendas do Abaeté”, “Recordações do Rio Antigo”, sambas que hoje em dia não são mais cantados nos ensaios, mas que surpreenderam a todos na quadra, mostrando que esses sambas devem continuar a serem cantados, mas para isso o samba precisa ser respeitado, sem exageros.
Momentos mais tarde Arlindo Cruz se apresentou, foi a chance para quem ainda queria chegar à quadra conseguir entrar e rapidamente os espaços que restavam foram ocupados e a quadra lotou. O público se aproximou do palco e cantou todas as músicas. Arlindo é um cara que valoriza as escolas, respeita as coirmãs e ajuda como pode. É preciso tirar o chapéu para ele, eu tiro o meu.
Leandro Sapucay também esteve presente, embora eu ache que já não tem nada a ver com samba, prestigiou a escola e conseguiu um bom retorno dos Mangueirenses.
O momento triunfal estava chegando, os ritmistas se organizaram no palanque, todos com a camisa SURDO UM, que para mim é um nome muito mais apropriado para nossa bateria, passistas se posicionaram aguardando apenas que terminasse a participação da velha guarda da escola Vai Vai de São Paulo, que infelizmente mais uma vez serviu para o descanso de muitos aguardando a nossa bateria.
Eis que a bandeira Verde-e-Rosa foi aberta para todos vissem nossa bateria no palanque e o rufar do seu tambor ecoasse na comunidade de Mangueira. Não há e nem pode haver como mangueira não há… Foi visível a euforia que tomou conta das pessoas quando a bateria começou, foi descomunal, o clima mudou repentinamente. Os três tenores voltaram ao palco e cantaram novamente sambas de enredo, mas dessa vez em ritmo mais forte pro povo acabar de vez com o jejum de quatro meses desde o carnaval. A bateria mostrou sintonia perfeita, como costumo dizer, o surdo da nossa bateria é capaz de fazer soar em nós Mangueirenses a resposta que não existe no próprio instrumento. Para finalizar a festa, os ritmistas tiveram que descer do palanque para a quadra e ir até a rua, pois senão ninguém iria embora. Esses mesmos ritmistas que continuam fazendo a diferença nessa bateria, pois batucar todo mundo sabe, mas samba como em Mangueira não existe igual.
A nova diretoria esta de parabéns, olhando na quadra não se saberia dizer quem era diretoria e quem não era. Essa era a ideia, todos iguais e sem diferença. O próprio Ivo foi um verdadeiro anfitrião, esteve em todos os lugares participando de todos os momentos daquela festa e no final esteve no meio do povo como um folião, mostrando que não está de brincadeira e que vai atingir o objetivo de todos: resgatar de volta o respeito à nossa escola. A Estação Primeira de Mangueira será novamente a pioneira, podem esperar.
Até a próxima !!!!! Eu estarei lá, e você ?????
Eduardo Telles



























